MPE investiga candidatos favorecidos por pesquisas eleitorais fraudulentas

Grupo é suspeito de alterar e divulgar resultados falsos em pesquisas de intenções de voto

Promotor Douglas Chegury | Foto: Lívia Barbosa/ Jornal Opção

O Ministério Público Eleitoral (MPE) vai concentrar as suas investigações para determinar quais candidatos foram favorecidos em pesquisas eleitorais fraudadas por institutos, como no caso do grupo Ipop – Cidades & Negócios.

A Operação Leão de Neméia foi deflagrada nesta quinta-feira, 5, e cumpriu mandados de buscas e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia, com o objetivo de desarticular o grupo, suspeito de produzir e divulgar pesquisas eleitorais fraudulentas em todo o Estado de Goiás nas eleições municipais de 2020. Os beneficiados correm risco de ter sua candidatura impugnada.

O promotor eleitoral Douglas Chegury explicou que o Ipop-Cidades e Negócios é o instituto com maior número de pesquisas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tendo 349 levantamentos em 191 dos 246 municípios goianos.

A suspeita surgiu a partir da informação da empresa de que teria bancado os valores para a realização dos levantamentos, sendo cerca de R$ 2 mil cada. O custo total de todas as pesquisas pode alcançar R$ 700 mil e o capital social da Ipop-Cidades & Negócios, conforme registrado na Junta Comercial de Goiás (Juceg) em fevereiro deste ano, é de R$ 150 mil.

Em dezenas de zonas eleitorais do Estado foram movidas ações requerendo a suspensão da divulgação de tais pesquisas.

Critérios não atendidos

O promotor eleitoral Lucas César Costa Ferreira informou que várias pesquisas realizadas pelo Ipop foram indeferidas por não atenderem aos critérios estabelecidos pela lei eleitoral.

Além disso, Lucas César relata que, entre o material apreendido nos endereços da empresa, foi encontrada uma planilha em que constam nomes de candidatos que teriam sido procurados e aceitaram utilizar as pesquisas fraudadas em suas campanhas, chamados de “parceiros”. Foram recolhidos computadores, formulários e arquivos nos locais de cumprimento dos mandados de busca e apreensão.

O promotor Eusélio Tonhá dos Santos afirmou que os indícios de irregularidades são fortes e os elementos de prova são consistentes para constatar as fraudes praticadas pelo Ipop-Cidades & Negócios. “Estamos diante de um audacioso plano de viciar o processo eleitoral. O MPE trabalha para solidificar a democracia, fazendo prevalecer os princípios da ordem democrática”, explicou.

Antecedentes criminais

De acordo com as investigações da MPE, o proprietário do Ipop – Cidades & Negócios, Márcio Rogério Pereira Gomes, teria agido, nas eleições municipais de 2016, desta mesma forma.

Em mais de uma centena de municípios do Estado de São Paulo, ele utilizou-se de uma outra empresa criada à época para produzir e divulgar pesquisas fraudadas. Ele responde a dezenas de processos cíveis e criminais na Justiça Eleitoral paulista, já tendo sido condenado em vários deles.

 

 

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