MP requer bloqueio de bens de Magda Mofatto por dívida de R$ 1 mi a Departamento de Esgoto

Flávio Canedo, marido da deputada, é acusado de criar indevidamente nova conta mais barata para o empreendimento “Di Roma”, de propriedade de Magda

Magda Mofatto e Flávio Canedo | Reprodução

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) propôs ação civil pública contra a deputada federal Magda Mofatto (PR) por improbidade administrativa por conta de uma dívida de mais de R$ 1 milhão com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Demae) de Caldas Novas. O débito é referente à utilização dos serviços de água e esgoto pela empresa Roma Empreendimento e Turismo LTDA, de propriedade de Magda.

Segundo os autos, o caso também envolve suspeitas de favorecimento e fraude praticadas pelo próprio marido de Magda Mofatto. Presidente do Demae entre os anos de 2013 e 2016, o atual dirigente do PR no Estado de Goiás, Flávio Canedo, é acusado de usar a influência dentro do departamento para encobrir a dívida da esposa.

Na ação, a atual gestão do Demae confirma o débito de R$ R$1.199.910,42, que inclui faturas a partir do ano de 1995. Foi confirmado que, para que o empreendimento não precisasse mais pagar os valores referentes à conta antiga, Canedo criou indevidamente uma conta de esgoto nova mais barata e inibiu a fatura da conta velha.

Em março de 2014, quando já estava à frente da companhia, Canedo também teria ignorado pedido da Justiça para juntada de débitos e faturas da empresa. À época, o presidente do PR também chegou a ser intimado pessoalmente pelo Ministério Público para prestar esclarecimentos, mas não compareceu.

O caso se arrasta na Justiça desde o ano de 2009, quando o departamento jurídico do Demae deu início a uma ação de cobrança contra o grupo, dono de uma ampla rede de hotéis e de um parque aquático no município, conhecido Brasil afora por suas águas termais.

A ação de improbidade cita lesão ao erário para facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular e atentado contra os princípios da administração pública.

Por conta disso, o MP requer liminarmente o bloqueio de contas bancárias e aplicações no valor de R$399.970,14 de cada um dos envolvidos no processo, que são a própria Magda, Flávio, o administrador Eledir José dos Reis e o empreendimento enquanto pessoa jurídica. Caso o valor seja superior à dívida, o restante será devolvido.

Resposta

O Jornal Opção tentou contato com Magda e com Flávio, que não atenderam nenhuma das inúmeras ligações. Em 2017, os dois negaram todas as acusações à reportagem.

Na época, a deputada negou que tenha qualquer dívida com o departamento, afirma se tratar de uma “cobrança criminosa” e alega ser vítima de conluio político na cidade. Segundo ela, o valor de mais de R$ 1 milhão não é real, já que garante que os serviços não foram prestados.

“Para você ter uma ideia, só de recolhimento social, por ano, eu desembolso mais de um milhão de reais. Qual seria a razão para eu deixar de pagar 4 ou 5 mil reais por mês? A cobrança não possui motivo. Pegaram um papel em branco, lançaram valores aleatórios e me acusaram”, argumentou.

Flávio Canedo endossou o discurso da esposa e nega ter criado uma “nova” unidade consumidora para o empreendimento da esposa. Segundo o dirigente partidário, o que ele fez foi regularizar o sistema de coleta de esgoto de Caldas Novas — até então, “quase inexistente” –, com a instalação de medidores nos empreendimentos, inclusive no de Magda.

Ele explica, ainda, que a coleta de esgoto no município só foi regularizada em sua gestão à frente do Demae e acusa a prefeitura de realizar lançamentos ilegais de vários empreendimentos da cidade para dar cargo ao ajuste das contas municipais.

Uma resposta para “MP requer bloqueio de bens de Magda Mofatto por dívida de R$ 1 mi a Departamento de Esgoto”

  1. Douglas disse:

    Mais uma defensora da família tradicional e dos bons costumes.

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