“MP quer espetáculo midiático”, diz advogado de médico investigado em esquema das UTIs

Segundo a defesa de Rafael Haddad, preso temporariamente desde de terça-feira (21/6), as acusações são infundadas e prisão desnecessária

Márcio Messias Cunha, advogado da empresa: “Bloqueio só traz prejuízos” | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O advogado Márcio Messias Cunha criticou o que chamou de “espetáculo midiático”, que estaria sendo promovido pelo Ministério Público no caso do escândalo envolvendo pagamento de propinas a profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Goiânia (Samu). Márcio Cunha, faz a defesa do médico cardiologista Rafael Haddad, preso temporariamente desde terça-feira (21/6), quando foi deflagrada a operação SOS Samu.

Em entrevista ao Jornal Opção na manhã desta sexta-feira (24/6), o advogado criticou a atitude dos agentes de justiça que teriam filmado e fotografado o momento da prisão de Rafael Haddad e depois publicado o material nas redes sociais. “Não existe sentença penal condenatória, é uma investigação que está apenas começando, mas filmar e colocar na internet, isso é um espetáculo midiático”, disse Cunha.

Segundo o advogado, além de filmar, um promotor de Justiça teria tirado uma “selfie” no momento em que a prisão estava sendo realizada, o que teria constrangido seu cliente. Apesar da indignação, ele afirma que seu cliente não pretende abrir ação na justiça contra o promotor ou o MP.”Queremos acreditar que foi uma atitude isolada, pois não condiz com o o ministério público de Goiás”.

O Jornal Opção não teve acesso ao material supostamente divulgado. Por meio de assessoria, o MPGO esclareceu que é comum a prática de filmar o momento da prisão de investigados, para a segurança tanto do ministério público quanto do preso, mas não quis comentar a suposta divulgação das imagens nas redes sociais.

“Não somos contra a investigação, muito pelo contrário. Meu cliente está disposto a prestar esclarecimentos à polícia e contribuir com o que for preciso. Mas é um absurdo expor uma pessoa a esse constrangimento, ser exposto ao ridículo. O Ministério Público não pode violar a imagem pessoal de um acusado desta forma”, disse o advogado. “Existe o princípio de dignidade e o direito constitucional à presunção de inocência que não podem ser violados”, defendeu.

Para Márcio Cunha, as acusações do Ministério Público contra seu cliente são “genéricas” e não apresentam provas o suficiente para o pedido de prisão temporária. Rafael Haddad e outras 23 pessoas tiveram mandados de prisão temporária expedidos na última terça-feira (21/6), entre eles, médicos e donos de hospitais e UTIs particulares e funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Goiânia (Samu).

Segundo informações do advogado, o cardiologista prestou esclarecimentos na última quarta-feira (22/6). “Os esclarecimentos prestados depois de dois dias de prisão poderiam ser obtidos de forma legal, mediante prévia intimação, sem a necessidade dos holofotes que cercaram a cinematográfica da ação policial”.

O advogado que faz a defesa do cardiologista Rafael Haddad afirma que seu cliente ficou surpreso ao saber que seu nome estava envolvido no escândalo de pagamento de propina por donos de UTIs e hospitais a funcionários do Samu para o encaminhamento de pacientes conveniados a planos de saúde.

Ele informou ainda que, desde 2009, o cardiologista Rafael Haddad se afastou das atividades financeiras e administrativas dos hospitais e UTI’s dos quais é sócio para se dedicar apenas ao atendimento de pacientes.

À época, o médico foi investigado pela Operação Saúde I, do MP-GO, que investigou um esquema criminoso de encaminhamento irregular de pacientes por funcionários dos setores de emergência e serviço social do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Segundo o advogado, até hoje não existe nenhuma decisão judicial sobre o caso.

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