A abertura da Conferência de Direitos Humanos de Goiânia aconteceu nesta segunda-feira (29), às 9h, no HUB Goiás – Centro de Excelência em Empreendedorismo Inovador. Lideranças de diversos movimentos sociais participaram do evento, que segue até às 18h com a realização de Grupos de Trabalho (GTs) e a escolha de delegados para a 13ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, prevista para dezembro de 2025, em Brasília.

A palestra foi aberta pelo padre Geraldo Marcos Labarrère. “Essa conferência é para engajar movimentos. Pois, são vocês que abrem horizontes. Aceita, constrói e se compromete de fato, com um futuro mais amplo e melhor”, disse Geraldo Marcos Labarrère. Na ocasião, o padre contextualizou toda a sua participação na luta a favor de minorias tanto em Goiânia, quanto em Manaus.

Autoridades na abertura da Conferência de Direitos Humanos, em Goiânia. | Foto: Amanda Costa

Segundo o padre, houve situações de três bispos pedir a ele para não celebrar missas para pessoas LGBT+ e seguiu desobedecendo-os. “Isso foi a 13 anos atrás, garanto a vocês que hoje eles não me pediriam essa bobagem”. Na visão do padre a sociedade mudou, ainda há muito preconceitos – porém, a aceitação da diversidade é resultado da luta de anos dos movimentos sociais.

Na conferência havia lideranças de Movimentos de Mulheres, de Meninos e Meninas de Rua, de Catadores de resíduos sólidos, de Ocupações Urbanas, de Donas de Casa, de Vítimas do Acidente Radiotivo – Céssio 137, de povos em situação de rua, entre vários outros.

Em entrevista para o Jornal Opção, o coordenador nacional do Movimento da população em situação de rua, Eduardo de Matos afirmou que a luta em Goiânia não é de agora. “A gente surge, com nossa camisa vermelha pelo sangue derramado de 47 assassinatos, mais 7 tentativos no ano de 2012. Até hoje, nossas companheiras e companheiros continuam morrendo”, diz emocionado.

“Nossa luta por Direitos Humanos é por moradia digna, saúde, trabalho, cultura, esporte, lazer, segurança alimentar e respeito à vida. Enquanto houver desigualdade e exclusão, haverá luta em Goiás. Hoje nós levantamos a nossa voz sobretudo por aqueles que se foram, por aqueles que são a resistência perante o sistema opressor e sobretudo por aqueles que acreditam em um amanhã melhor”, destaca Eduardo de Matos.

O superintendente de Direitos Humanos da SEMASDH, Eduardo Oliveira concedeu entrevista para o Jornal Opção e explicou Goiânia pode ter uma representatividade de 50 delegados, em Brasília. “Espero que daqui saiam pessoas que consigam chegar à Nacional, porque tem muita gente daqui que pode contribuir com um sistema único de Direitos Humanos, assim como a gente tem um Sistema Único de Saúde”.

A mesa da Conferência de Goiânia foi composta por representantes da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos da Prefeitura de Goiânia (SEMASDH), Ministério Público (MPGO), Tribunal de Justiça (TJGO), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Câmara de Vereadores.

Justiça

O juiz do TJGO, Gabriel Lisboa disse que o tratado aos Direitos Humanos precisa ser respeitado. | Foto: Amanda Costa

“Os Direitos Humanos é a base do nosso Estado. É a base para o trabalho do juiz, do governador, do prefeito, do deputado, ou seja, de todos. Se o Estado não consegue proteger os Direitos Humanos não há necessidade da sua existência, sem o direito não há sociedade e sem a sociedade não há direito”, disse o juiz Gabriel Lisboa.

O juiz de Direito, Gabriel Lisboa, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás mediou a palestra do padre Geraldo Marcos Labarrère. Enfatizou a importância do evento e disse que o tratado aos Direitos Humanos precisa ser respeitado.

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