Estudantes do Prédio das Humanidades I da Universidade Federal de Goiás (UFG) se depararam com portas bloqueadas na manhã desta sexta-feira, 7. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição de ensino divulgou na última quinta-feira, 6, o resultado de um plebiscito que definiu a continuidade do movimento grevista discente, que teve início em solidariedade à greve dos docentes, esta que já foi encerrada. 

Em publicação, o DCE da UFG afirmou que foi aberto um plebiscito na manhã da terça-feira, 4, e o mesmo foi encerrado 24 horas depois, na quarta-feira, 5. Dos 4.702 discentes que participaram, 52% optou pela continuidade da greve dos estudantes. Foram 2.445 votos a favor da continuidade da greve, 2.081 contra, e 176 abstenções. 

Em entrevista ao Jornal Opção, um integrante do comando de greve dos estudantes que optou pelo anonimato, compartilhou parte das demandas do grupo. Alguns exemplos de demandas são: a revogação de medidas que atacam a educação, como o Novo Ensino Médio, e a recomposição do orçamento das universidades, que vem sofrendo cortes consecutivos nos últimos anos. 

Vídeo: Divulgação.

O discente reforça: “O contexto de mobilização é nacional”. A greve estudantil da UFG surge em consonância com o movimento dos servidores técnicos administrativos (TAE’s) e com o movimento docente nacional. O estudante lembra das dezenas de universidades e institutos federais paralisados e reforça dizendo que “a greve dos docentes [da UFG] acabou, mas a dos estudantes não”. Segundo o membro do comando de greve, a Faculdade de Ciências Sociais, a Faculdade de Filosofia, a Faculdade de Educação, a Faculdade de Letras e a Faculdade de Artes Visuais também paralisaram em algum nível suas atividades. 

“Essa movimentação acontece para que professores não furem greve e os estudantes sejam prejudicados, e fazer com que o movimento ganhe força”, afirmou o discente que compõe o comando de greve se referindo às barricadas nos prédios. “Alguns cursos estão totalmente paralisados, outros estão parcialmente, e outros não estão paralisados”, disse.  

As negociações entre o Adufg-Sindicato, representante dos docentes da UFG, e a reitoria determinaram o retorno das aulas para essa semana, entretanto, o movimento discente busca a manutenção da suspensão do atual calendário da universidade. “As negociações oficiais [com a reitoria] têm início na semana que vem”, garantiu.

O Jornal Opção tentou contato com a reitoria da Universidade a fim de obter posicionamento sobre a atual situação. Em entrevista ao canal UFG Oficial, que foi concedida à reportagem pena universidade, a reitora da UFG comenta a atual situação. Após reconhecer o movimento dos servidores técnicos administrativos e dos discentes, a reitora afirma estar aberta ao diálogo e diz que a reitoria “vem cumprindo o rito necessário para que a retomada do calendário acadêmico, após o fim da greve docente, possa se dar considerando as diversidades e complexidades de toda a comunidade”.

A gestora afirmou que, no intuito de resolver completamente as questões ligadas à infraestrutura da Universidade, é preciso cerca de R$ 200 milhões. Apesar da suplementação orçamentária de R$ 20 milhões que veio em 2023, o cenário ainda é desafiador, afirma Angelita. Sem mencionar os bloqueios feitos pelo movimento estudantil, a reitora afirma: “A nossa tarefa é passar por tudo isso, ao retomarmos a atividade plena na Universidade, sem gerar rupturas ou dissensões que depois sejam insuperáveis no âmbito da convivência da comunidade acadêmica”.

Adesão 

Nas publicações relacionadas à greve estudantil nos perfis do DCE, os estudantes se mostram divididos nos comentários. Centenas de comentários são contra a continuidade da greve, enquanto outros acham justas as reivindicações e apoiam o movimento. “Recomposição orçamentária já! Só a luta muda a vida”, afirmou um internauta. “Vocês não tiveram nem metade dos alunos da faculdade votando, vou continuar indo às aulas”, disse outra. 

Quando questionado sobre a adesão dos estudantes à greve, o membro do comando de greve afirma que varia de unidade para unidade, mas que, de forma geral, é uma adesão crescente. “Em algumas unidades, os professores são mais complacentes”, disse ao se referir à participação dos professores no movimento. Enquanto alguns docentes seguem dando aula e falta para aqueles discentes ausentes, outros aderiram à paralisação. 

O sindicato dos professores

Em nota, o Adufg-Sindicato reforçou o fim da greve dos docentes após plebiscito entre professores filiados e não filiados. “A greve da categoria docente na Universidade Federal de Goiás (UFG) foi encerrada de forma democrática, por meio de plebiscito, conforme estabelece o estatuto da entidade”, afirmaram. 

Nesse sentido, a entidade sindical “espera que a Reitoria da UFG tome as devidas providências para garantir o livre exercício de atividades por parte daqueles que, livremente, optaram pelo fim da greve”. Entretanto, o sindicato também reconhece a validade das pautas defendidas pelo movimento discente, como a recomposição orçamentária e as políticas de permanência estudantil, por exemplo.   

Na sequência, a diretoria do sindicato sinaliza expectativas de mais repasses do Governo Federal para verba de custeio das Instituições Federais de Ensino, com foco específico para reunião que acontece na segunda-feira, 10, entre o presidente Lula e os reitores, com presença, inclusive, da reitora da UFG, Angelita Lima.  “A universidade precisa retomar sua normalidade”, afirmam. 

Leia também: Dois estudantes da UFG são premiados na categoria Iniciação Científica do CNPQ

Em meio a crise com docentes e servidores técnicos administrativos, Lula marca reunião com reitores