Mourão admite culpa pela pouca coordenação em combate ao desmatamento

Vice-presidente afirma não ter conseguido integrar a equipe da coordenação para que a atuação fosse efetiva

Em entrevista a imprensa na manhã desta terça-feira, 23, no Itamaraty, o vice-presidente e coordenador do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), Hamilton Mourão, admitiu ter culpa nas falhas do combate ao desmatamento no Brasil. Declaração foi realizada após o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrar que outubro bateu recorde de devastação.

De acordo com o levantamento, outubro registrou o pior número de desmatamento dos últimos 15 anos, sendo 13.235 km2 entre agosto de 2020 e julho de 2021. Em comparação ao período anterior, o aumento é de 22%. “Se você quer um culpado, sou eu. Não vou dizer que foi ministro A, ministro B ou ministro C. Eu não consegui fazer a coordenação e a integração da forma que ela funcionasse”, afirmou Mourão.

Segundo ele, a coordenação só passou a funcionar quando a terceira operação – nomeada Samaúma – ocorreu. Ele explica que foi nesse momento que “a turma acordou para a necessidade de conversar efetivamente uns com os outros, despirem seus preconceitos. Porque cada um tem seu preconceito, em relação ao outro, à forma do outro de trabalhar, e a partir daí houve sinergia dos trabalhos”. Como chefe do CNAL, o vice-presidente da República é responsável por coordenar as ações de preservação do bioma.

Mourão ainda afirmou que, dos 13.235 km2 divulgado pelo Inpe como a área desmatada entre agosto de 2020 e julho de 2021, cerca de 60% corresponde a desmatamento ilegal. No entanto, a informação não foi confirmada ou divulgada por ministérios ou órgãos de fiscalização. Ele ainda reconheceu que a área de desmatamento ilegal é “troço pra chuchu”.

“Em torno de 8.100 km2 definitivamente considerados ilegais e os outros, como foram realizados em áreas privadas, onde havia autorização para supressão para a vegetação, são considerados desmatamento legal”, afirmou o vice-presidente.

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