Morte de professor no Colégio Estadual Céu Azul comove e mobiliza redes sociais

Após tragédia em Valparaíso de Goiás, debate sobre violência nas escolas ganha voz

Foto: Reprodução

A morte do professor Júlio Barroso no Colégio Estadual Céu Azul, de Valparaíso de Goiás, após ser baleado pelo aluno L. R. L., de 17 anos, causou grande comoção nas redes sociais. Professores, comunidade escolar e autoridades se manifestaram sobre a tragédia ocorrida nesta terça-feira 30, dentro da unidade estadual. Veja alguns relatos:

A Secretaria Estadual da Educação de Goiás (Seduc) afirmou por meio de nota que tem feito todos os esforços no sentido de contribuir para a cultura da paz e informou que deslocou equipes ao local para prestar apoio à comunidade escolar. “Com o mesmo propósito, será deslocada à cidade de Valparaíso uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, assistente social e integrantes da Superintendência de Segurança Escolar da Seduc”.

Já o governador Ronaldo Caiado afirmou que, “foi com imensa perplexidade e profundo pesar que tomei conhecimento da morte do professor Júlio Barroso, do Colégio Estadual Céu Azul, de Valparaíso. Toda a nossa solidariedade à família e à comunidade escolar”, escreveu o governador.

A professora Riva, que trabalha na região, também usou as redes sociais para lamentar a morte do professor. “Ontem, eu chorei pelo professor Júlio Cesar Barroso. Passei todo o final da tarde na escola engasgada, engolindo a seco a revolta que me tomou. Chegando em casa, eu desmoronei!”, escreveu a docente.

“O professor Júlio poderia ser eu! Ou qualquer um dos meus colegas, amigas e amigos que dedicam suas vidas para tentar dar perspectivas de futuro e alento para tantos estudantes. Professores que saem de suas casas para trabalhar em condições precárias e adversas, fazendo malabarismos para lidar com a falta de estrutura para ensinar de forma decente, assim como o Júlio César, que trabalhava em uma região abandonada à própria sorte e violência pelo poder público”, desabafou a professora.

A deputada Lêda Borges também usou as redes sociais para lamentar a perda do professor Júlio. “Manifesto minha solidariedade aos familiares, amigos e toda a comunidade escolar. A dor da perda, tão repentina e precoce, é impossível de ser mensurada, sobretudo por acontecer em um espaço de aprendizagem e de proteção como deveria ser uma escola”, escreveu a parlamentar.

“O episódio é o retrato da situação crítica de violência na qual as escolas do Estado e do país vivem. Dados globais mais recentes apontam o Brasil como o mais violento nesta área. Precisamos reconhecer que, como agentes públicos, sociedade e família, estamos falhando e urgentemente buscarmos difundir uma cultura de paz e respeito ao próximo não só nas escolas, mas em todas as esferas de nossa sociedade para evitar que tragédias como esta continuem a ocorrer”, disse Lêda.

A Mobilização dos Professores de Goiás (MPG) também manifestou pesar e pediu atenção da sociedade para a forma brutal como a tragédia ocorreu, “em seu local de trabalho e por alguém que deveria estar em uma relação de admiração e respeito pelo mestre”. Em nota, a associação disse ainda que o atual modelo de Educação simplesmente procura números para disfarçar uma realidade brutal.

“Esse aumento da violência nos colégios é sobretudo o reflexo do abandono por parte do Estado da Educação, não é possível que se estabeleça uma política de cortes de recursos, é preciso mais investimentos principalmente para que possamos ter um melhor acompanhamento dos nossos alunos. Mas agora mais essa tragédia ocorreu, fica nosso sentimento de solidariedade para com os amigos e família do Professor e nosso apelo para não desistirmos da batalha por uma educação melhor e principalmente para que casos como esses não se repitam”, diz trecho da nota do MPG.

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