Morre segunda vítima dos 80 disparos realizados pelo Exército no Rio

Luciano Macedo era catador de recicláveis e foi atingido ao tentar ajudar família do músico que morreu no local dos disparos

Catador de recicláveis morre depois de onze dias internado no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução

Morreu, na madrugada desta quinta-feira, 18, mais uma vítima da ação do Exercito que disparou 80 tiros contra um carro com características suspeitas no Rio de Janeiro.

O homem, identificado com Luciano Macedo, era catador de materiais recicláveis e estava internado há 11 dias após ter sido alvejado ao tentar ajudar a família de Evaldo Santos Rosa, músico que morreu no local dos disparos.

Evaldo Rosa conduzia o veículo e seguia, com a família, em direção a um chá de bebê. Durante o  percurso, os militares confundiram seu veículo e abriram fogo contra o motorista e os passageiros.

Segundo o relato de testemunhas, após o veículo parar completamente na via em que foi interceptado, o catador se aproximou para prestar socorro ao motorista. Neste momento, o homem também foi atingido e conduzido para o hospital onde permanecia internado até a madrugada desta quinta-feira.

Relembre

Inicialmente, o CML informou que a guarnição circulava pelo bairro de Guadalupe quando se deparou com um assalto e foi atacada por criminosos. E que, por causa disso, atirou contra os assaltantes. Segundo essa primeira nota divulgada pelo Exército, o homem que morreu e o que ficou ferido eram assaltantes.
 
Uma terceira pessoa, um pedestre, foi atingido durante o tiroteio, segundo ainda a primeira nota do Exército.
 
A Polícia Civil, no entanto, depois de fazer uma perícia no local, informou que não havia assaltantes no carro e que as duas vítimas eram integrantes de uma família que estava no veículo. O homem que morreu foi identificado como Evaldo dos Santos Rosa e o ferido que estava no carro seria seu sogro. Evaldo tinha 51 anos e era músico.

Além deles, estavam no carro a mulher de Evaldo e uma criança, que não ficaram feridas.
 
De acordo com a última nota divulgada pelo CML, os militares presos estão à disposição da Justiça Militar, que realizará a audiência de custódia e decidirá se manterá ou não a prisão.
 
“O Exército Brasileiro reitera seu estrito compromisso com a transparência e com os parâmetros legais impostos pelo Estado de Direito ao uso legítimo da força por seus membros, repudiando veementemente excessos ou abusos que venham a ser cometidos quando do exercício das suas atividades”, finaliza a nota.

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