Morre Paulo Egydio, o governador de São Paulo que alertou Geisel sobre ação da linha-dura

Liberal, o governador avisou que, depois de matar Vladimir Herzog, o DOI-Codi havia assassinado o operário Manuel Fiel Filho

O ex-governador de São Paulo Paulo Egydio Martins morreu na sexta-feira, 12, aos 92 anos.

Como governador de São Paulo, entre 1975 e 1979, Paulo Egydio se comportou como liberal e, como tal, apoiou a distensão do governo do presidente Ernesto Geisel. Ele também não apoiava as ações dos militares da linha-dura.

Paulo Egydio: governador de São Paulo indicado pelo presidente Ernesto Geisel | Foto: Reprodução

Quando a repressão matou o operário Manuel Fiel Filho, em 1976, Paulo Egydio ligou para Geisel e disse: “Desculpe incomodá-lo. Morreu outro preso no DOI. Outro enforcamento”. O primeiro assassinado havia sido o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado. Em seguida, o presidente exonerou o comandante do Exército em São Paulo, Ednardo Dávila Melo.

Em 2013, à Comissão da Verdade, Paulo Egydio disse: “Militares linha-dura não queriam que Geisel desse continuidade à abertura política que ele estava implementando”.

Paulo Egydio chegou a defender a legalização do Partido Comunista e sugeriu que o governo liberasse a volta de Luiz Carlos Prestes ao Brasil. Ele apoiou Tancredo Neves para presidente, em 1985.

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