Vários jornalistas italianos contribuíram (alguns ainda contribuem) na difícil arte de editar jornais e revistas no Brasil. Eles ajudaram a reinventar o jornalismo patropi.

Dois italianos, Mino Carta (1933-2025) e Elio Gaspari, de 82 anos, brilharam na revista “Veja”, entre outras publicações. Marina Colasanti (1937-2025) brilhou como jornalista e escritora. Claudio Carsughi (1932-2026) em jornais e rádios.

Nascido em Gênova, Mino Carta criou as revistas “Quatro Rodas” (sem saber dirigir), “Veja”, “IstoÉ” e “CartaCapital” e o “Jornal da República” (ao lado de Claudio Abramo, filho de italianos).

Elio Gaspari, nascido em Nápoles, foi editor e diretor-adjunto da revista “Veja” durante anos. Depois de uma passagem pelo “Estadão”, vinculou-se aos jornais “Folha de S. Paulo” e “O Globo”, onde escreve uma muito lida coluna dominical e artigos.

Nascida na colônia italiana de Asmara, na Eritreia, Marina Colasanti brilhou tanto jornalismo (“Jornal do Brasil” e “O Globo”) quando na literatura. Era também tradutora.

Claudio Carsughi, nascido em Arezzo — e morou em Florença (era torcedor da Fiorentina, onde jogaram Julinho Botelho, Amarildo, Sócrates, Dunga e Edmundo) —, mudou-se para o Brasil, com a família, aos 14 anos, em 1946 — há 70 anos. Ele morreu na quinta-feira, 10, aos 93 anos, em decorrência de uma infecção respiratória.

Na Rádio Panamericana, depois Jovem Pan, Claudio Carsughi trabalhou durante quase seis décadas. Deixou a emissora em 2015. O jornalista cobriu cinco Copas do Mundo para a Jovem Pan, de 1970 a 1986

Apesar de ter se dedicado ao jornalismo, Claudio Carsughi era formado em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Precoce, Claudio Carsughi foi contratado como correspondente, aos 16 anos, pelo jornal italiano “Corriere dello Sport”, pelo qual cobriu a Copa do Mundo de 1950, no Brasil, quando o Uruguai, derrotando a seleção canarinho, sagrou-se campeão.

Claudio Carsughi foto reprodução ok1300 0k2
Claudio Carsughi trabalhou na imprensa italiana e na mídia brasileira | Foto: Redes sociais

Claudio Carsughi foi correspondente da revista “Calcio e Ciclismo Ilustrado” e dos jornais “Tuttosport” e “La Stampa”.

Na Rádio Panamericana, depois Jovem Pan, trabalhou durante quase seis décadas. Deixou a emissora em 2015.

O jornalista cobriu cinco Copas do Mundo para a Jovem Pan, de 1970 a 1986.

As paixões de Claudio Carsughi era o futebol e o automobilismo. Comentou provas de Fórmula 1 durante anos.

Na revista “Quatro Rodas”, por entender tanto de jornalismo quanto de engenharia, trabalhou como responsável técnico e foi editor-executivo da “Oficina Mecânica” e fundou a “Auto&Técnica”.

Multitalentoso, Claudio Carsughi também trabalhou na ESPN Brasil, no “Linha de Passe”, no SportTV. Na Globo comentava futebol, Fórmula 1 e motociclismo.

Em 2015, aos 83 anos, provando que era dotado de uma vitalidade imensa, Claudio Carsughi trabalhou na Rádio Nacional e na TV Brasil.

“Mestre Carsughi”, como era conhecido, é uma lenda do jornalismo esportivo do Brasil e da Itália. Por isso, o comentarista Leonardo Bertozzi está certo ao dizer que Claudio Carsughi é “um gigante que dignifica nossa profissão”.