Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre Harper Lee, autora de O Sol É Para Todos, um dos livros mais conhecidos do EUA

A autora vendeu 30 milhões de exemplares. Em 2015, saiu seu segundo romance. Ela ajudou Truman Capote a compor “A Sangue Frio”

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Apesar de não ser prolífera e de não ter a qualidade de outras escritoras americanas — como Flannery O’Connor, Edith Wharton, Willa Cather e Joyce Carol Oates —, Harper Lee era, sem dúvida, a mais conhecida tanto nos Estados Unidos quanto noutros países. Graças ao best seller transnacional “O Sol É Para Todos”, romance poderoso sobre a vida do negro e a Justiça no país. O prefeito de Monroeville, no Alabama — onde ela era uma espécie de atração turística —, confirmou a morte da escritora na sexta-feira, 19.

 

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Embora não seja um primor em termos literárias, sua prosa é absolutamente convencional — muito inferior à prosa de William Faulkner —, “O Sol É Para Todos” é um dos mais famosos romances dos Estados Unidos. Um dos mais lembrados pelos leitores do país — acima, até, de “Moby Dick”, a obra-prima de Herman Melville, “A Letra Escarlate”, de Nathaniel Hawthorne, “Retrato de uma Senhora”, de Henry James, “O Som e a Fúria”, de Faulkner, “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald, e “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway. O livro se tornou sum símbolo incomparável da luta antirracista no país de Martin Luther King.

“O Sol É Para Todos” ganhou o Prêmio Pulitzer de ficção em 1961. Tornou-se um livro mais político do que sua própria autora, que possivelmente só queria mesmo contar uma boa história, com um tema quente de sua região, o Sul dos Estados Unidos. A obra é de 1960 e vendeu 30 milhões de exemplares. Conta a história de Atticus Finch, advogado branco que faz a defesa de um negro que é, injustamente, acusado de ter estuprado uma mulher.

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Adaptado por Hollywood, em 1962, com Gregory Peck no papel do advogado Atticus Finch — numa interpretação precisa, sem excessos —, o livro se tornou um filme de sucesso. E um passou a alimentar o sucesso do outro. É provável que o filme Robert Mulligan seja um pouco melhor do que o romance, que é bem tradicional. O que não significa que se trata de uma obra ruim.

Em 2015, a advogada Tonja Carter arrancou do fundo de um “baú” os originais de um romance de Harper Lee, “Vá, Coloque um Vigia” (publicado no Brasil pela Editora José Olympio), e o publicou com estardalhaço (chegou-se a especular que a advogada contou, para publicá-lo, com uma possível “inconsciência” da autora). O tema é o mesmo do outro romance, uma espécie de recuo no tempo. Tornou-se best seller rapidamente.

Acredita-se que, entre os papéis de Harper Lee, exista um terceiro romance. Pelo é o que diz seu biógrado.

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Quando Truman Capote andou pelo Arkansas, em busca de informações para compor o romance de não-ficção “A Sangue Frio”, Harper Lee foi fundamental para que fosse relativamente bem recebido, notadamente entre as mulheres.

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