Moradores de Lagolândia vivem com pinguela improvisada após abandono de obras da ponte sobre o Rio do Peixe
27 março 2026 às 11h07

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Moradores do distrito de Lagolândia, em Pirenópolis, seguem enfrentando uma rotina de dificuldades após o abandono das obras de reconstrução da ponte sobre o Rio do Peixe, na GO-479. A estrutura, que faz a ligação com o município de Vila Propício, foi destruída por uma enchente em 2021 e, desde então, não foi substituída.
Diante da ausência de respostas da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), a população tem recorrido a soluções improvisadas para garantir o mínimo de mobilidade, como a construção de pinguelas feitas pelos próprios moradores.
Atualmente, a travessia do rio depende de uma estrutura construída de forma comunitária. “Os fazendeiros doaram as madeiras, as pessoas que têm motosserra doam o trabalho. Os próprios moradores e fazendeiros fazem tudo porque necessitam urgentemente dessa ponte”, explicou Waldetes Aparecida Rezende, de 64 anos, ao Jornal Opção em janeiro, quando a população refez, por conta própria, a pinguela pela terceira vez.
A última pinguela, construída há cerca de dois anos, foi levada pela cheia registrada no fim de dezembro de 2025, obrigando os moradores a, mais uma vez, reconstruírem a travessia.
No dia 14 de janeiro, o Jornal Opção já havia destacado a situação crítica enfrentada pela população à Seinfra, que informou que executaria, em um prazo de 15 dias, uma travessia provisória em Lagolândia. Segundo a pasta, a medida havia sido definida pela empresa responsável pela obra como o mínimo necessário para garantir segurança durante a construção da nova ponte, considerada prioridade pelo órgão.
No entanto, passados mais de dois meses desde a promessa, os moradores relatam que nenhuma ação foi realizada pelo governo estadual. Por isso, a própria comunidade tomou a iniciativa de construir novamente a pinguela, assumindo a responsabilidade pela travessia.
Segundo os moradores da região, foram instalados guarda-mãos com cordas e cabos de aço, permitindo a passagem de pedestres e motociclistas.
“Nós, moradores aqui, melhoramos a pinguela, fomos de um lado e outro, com corda e cabo de aço. Ela está beleza. De acordo com as exigências, ela foi feita. Então, nós estamos transitando por ela.”, afirmou Mundico, morador da região, em entrevista ao Jornal Opção.
Ainda assim, a situação tem outro problema: o suposto abandono definitivo das obras da ponte oficial. De acordo com os moradores, a empresa responsável retirou todos os materiais do local, incluindo estruturas que já estavam prontas para a concretagem, e desmontou completamente o canteiro de obras.
“A firma abandonou a obra e retirou todo o material. Inclusive, os ferros que já estavam prontos para receber o concreto, eles carregaram tudo. Agora nós não sabemos o que fazer. Eu vi o caminhão tirando os últimos materiais. Aí já arrancou o acampamento e já limpou lá todinho”, relatou Mundico.
Veja vídeo:
Até o momento, os moradores afirmam não ter recebido qualquer informação sobre a situação do local. “Ninguém nos informou nada, não estamos sabendo se vai ter outra empresa, quando vai ser, nada”, disse Mundico.
As consequências do problema – mesmo com a pinguela improvisada pela própria população – estão impactando a rotina das famílias. A pinguela permite apenas a passagem de pedestres e motociclistas, impossibilitando o trânsito de carros, caminhões e vans. Com isso, os moradores precisam percorrer um trajeto alternativo que aumenta em cerca de 30 quilômetros de distância até a Vila Propício.
Esses problemas são vividos todos os dias pelas crianças da região, que, para chegarem à escola, precisam ser levadas pelos pais até o outro lado da ponte/pinguela e lá entrarem em vans escolares que irão levá-las à escola. “Os pais vêm, passam as crianças na ponte e aí a van escolar vai lá e pega elas do outro lado porque não tem como chegar perto nas casas das crianças”, explicou Mundico.
O Jornal Opção entrou novamente em contato com a Seinfra, que encaminhou nota com esclarecimentos sobre o andamento da obra.
Confira nota completa da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra):
“A Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) informa que as obras da ponte sobre o Rio do Peixe, em Lagolândia, estão em fase de transição. Para garantir o andamento adequado da obra, foi realizada a rescisão unilateral do contrato com a empresa anteriormente responsável, após a constatação de que as obrigações contratuais não estavam sendo devidamente cumpridas.
Neste momento, está sendo realizado o levantamento técnico dos serviços executados e dos quantitativos remanescentes, etapa necessária para viabilizar uma nova contratação com maior segurança técnica e jurídica. A desmobilização da empresa seguiu os termos contratuais e os ritos administrativos previstos para esses casos, com acompanhamento da equipe técnica da Secretaria.
A Seinfra informa ainda que já adotou as providências para a contratação de uma nova empresa, que dará continuidade à obra.
Quanto à situação de mobilidade na região, a Secretaria reconhece a importância da travessia para a comunidade local e esclarece que a solução provisória existente vem sendo acompanhada, enquanto são adotadas as medidas necessárias para a retomada e conclusão definitiva da obra, de grande importância para a população de Lagolândia.”
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