Moda entre jovens, aplicativos de encontro facilitam relacionamentos, mas trazem riscos à saúde

Estudos sugerem que pessoas que buscam relações sexuais online são mais propensas a praticarem sexo sem proteção e a terem mais parceiros. Em Goiás, o governo estadual criou uma campanha para alertar os jovens 

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Há cinco meses, a jovem goiana B. C. resolveu fazer o download do Tinder em seu aparelho de telefone celular. Em seguida, usando o serviço de GPS do seu dispositivo, o aplicativo (app) trouxe uma lista de pessoas que a garota de 21 anos poderia se interessar. Então, B. passou o dia deslizando o dedo e “curtindo” fotos de outros rapazes. Quando ela “curtia” uma pessoa e era “curtida” de volta, surgia uma janela que indicava: “Vocês combinam!”.

Tinder, Grindr, Scruff, Badoo — são nomes em inglês de redes geosociais que podem soar estranhos para os indivíduos de gerações anteriores à ascensão de celulares e smartphones. A função desses aplicativos, que podem ser baixados gratuitamente em lojas virtuais, é uma só: ajudar a conhecer pessoas online para namoro, amizade ou qualquer tipo de relacionamento, inclusive sexual (sem generalizar, entretanto essa é umas das formas mais usuais dessas plataformas).

Em pouco tempo, B. conheceu e se relacionou sexualmente com quatro rapazes na mesma faixa etária que a sua. E o número de pessoas (e, principalmente, jovens) utilizando esses apps não param de crescer. Criado por um americano, o Grindr, por exemplo, disponível em praticamente todos os sistemas de celulares, conta, segundo informações da App Store, com mais de 7 milhões de homens (gays/ bissexuais) em mais de 180 países que podem conversar entre si, dispostos na tela do aparelho a partir do mais próximo ao mais distante.

Estudo publicado pelo jornal Sexually Transmitted Infections, neste ano, indicou que homens gays ou bissexuais, que usam aplicativos de encontros sexuais, têm maior probabilidade de infecção de gonorreia e clamídia, por exemplo. Em 2013, uma pesquisa da ONG Community Healthcare Network, de Nova Iorque, já indicava dados similares e revelava que 50% dos usuários de apps de encontros sexuais admitiam fazer sexo sem preservativo.

B. — a jovem que abre esta reportagem — diz ao Jornal Opção Online que usou preservativo com todos os rapazes com quem se relacionou.  “Principalmente pelo fato de tê-los visto apenas uma vez na vida, me protegi. Mas pode acontecer de a pessoa não se proteger, sobretudo por nervosismo ou irresponsabilidade”, confessa.

E é sabido que o maior problema está aí, na irresponsabilidade durante o ato sexual, seja entre pessoas que se conhecem há anos ou há décadas ou entre as que acabaram de se conhecer. O não uso do preservativo pode acarretar em inúmeras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como o vírus da imunodeficiência humana, o VIH ou HIV.

Vale lembrar que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, de 2006 para cá houve um aumento de 53% no número de infecções de jovens entre 15 e 24 anos pelo vírus HIV.  Estatísticas da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) revelam que, em 2013, foram diagnosticados 458 casos, sendo que 109 (24%) eram de jovens nesta faixa etária.

Foi pensando em atingir esse grupo e alertar sobre os riscos de um sexo não seguro, que a Secretaria da Saúde do Estado de Goiás (SES), por meio da agência de publicidade Espaço Nobre, criou a campanha “Aids. Não duvide”.

Depois de reuniões com grupos focais e com entidades que cuidam de portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Sida ou Aids), as equipes da agência e da SES conseguiram formular uma ação que está conseguindo instigar as pessoas a realizarem testes que detectam o HIV no organismo.

Para a campanha, foram instalados 170 outdoors com a temática e criado um aplicativo no Facebook com o mesmo layout do Tinder. O usuário da rede social entra no app e, por conseguinte, rostos de modelos irão aparecer na tela (assim como o app de encontro) e, logo depois, o internauta deverá responder a seguinte pergunta: “Você sabe se essa pessoa é portadora do vírus HIV?”. Ao final do questionário, o rosto da própria pessoa irá aparecer e ele deverá responder a seguinte indagação: “E essa pessoa? Você sabe se essa pessoa é portadora do vírus HIV? Não fique na dúvida. Faça o teste”.

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Campanha “Aids. Não duvide” | Foto: Divulgação/ Espaço Nobre

“Escolhemos trabalhar com essa ferramenta não para fazer terrorismo, mas para que o jovem, já que utilizamos um meio onde ele está sempre presente que é a internet, se sinta convidado a procurar uma unidade de saúde para realizar o teste”, afirma o redator Renan Alves Melo.

À reportagem, a enfermeira integrante da equipe técnica da coordenação estadual de DST/ Aids explica que apenas com os testes (rápidos ou laboratoriais) é possível diagnosticar o vírus. “Se o indivíduo teve uma relação de risco e/ou desprotegida há 30 dias, pode procurar os centros de saúde para fazer os exames. Vale ressaltar que o Teste Rápido, que fica pronto em quinze minutos, tem a mesma confiabilidade e validação que um teste realizado em laboratório. O importante é que ele sempre deve ser feito e que a pessoa não tenha dúvidas”, completa.

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