Assim como na aviação, os momentos mais perigosos são a decolagem e a aterrissagem. Quando o assunto é viagem espacial, a tensão é total no lançamento do foguete e na reentrada da cápsula que traz os astronautas de volta à Terra. No caso da missão Artemis II, quando a espaçonave Orion reentrar na atmosfera terrestre, será momento mais arriscado da viagem — de dez dias — que levou o ser humano de volta à Lua.

O lançamento da Artemis II foi suave, mas a volta pra casa promete fortes emoções porque o perigo estará à espreita. A reentrada — a 40.000 km por hora — começa assim que a Orion passar pela termosfera. Ali, os astronautas enfrentarão um calor de 8.315°C durante 15 minutos. A temperatura corresponde à metade do calor emitido pelo Sol. A Nasa garante que a cápsula está preparada para não fritar. Em 2007, o Ônibus Espacial Columbia desintegrou-se assim que entrou na atmosfera terrestre matando os sete astronautas que estavam a bordo.

Não há comunicação entre a nave e controle da missão durante a reentrada que também não tem retorno. A Orion vai virar uma bola de fogo e, nessa hora, os astronautas poderão ver do lado de fora apenas labaredas. Se a espaçonave tiver um simples arranhão ou uma fissura minúscula é o fim. A desintegração acontece em segundos. Foi exatamente isso que aconteceu com a Columbia: a investigação sobre a causa do acidente descobriu que havia um buraco de 1 cm em uma das asas do Ônibus Espacial. Foi o suficiente para que implodisse.

Durante a montagem de qualquer espaçonave, principalmente quando é tripulada, a parte mais importante do veículo é o escudo térmico. É ele que impede que espaçonave incendeie ao passar pela termosfera. E não existe plano B neste momento, o escudo tem que funcionar.

Artemis Nasa
Uma foto da Orion observando a Terra e a Lua da órbita lunar durante a missão Artemis I | Foto: Reprodução/Nasa

No entanto, a Nasa não garante que a Orion está 100% protegida. O escudo foi desenvolvido com um tipo de resina resistente ao calor extremo. São milhares de blocos pequenos, mas espessos que juntos formam uma fina camada de fibra de carbono a partir de um material chamado Avcoat. O mesmo produto que foi usado há mais de 50 anos nas missões Apollo, o que mudou em meio século foi somente a forma como o Avcoat é produzido, segundo a Nasa, de forma mais eficiente.

O lançamento da Artemis II teve um atraso de um ano e meio justamente porque o escudo térmico não operava devidamente. Mas, nesse meio tempo, a Nasa não desenvolveu outro tipo de proteção. O material e a forma do escudo continuam os mesmos, o que mudou foi a trajetória que a cápsula vai percorrer na reentrada da atmosfera terrestre. O centro de controle alterou o ângulo que a Orion vai atingir quando passar pela termosfera, assim ela estará ainda mais veloz e isso deverá garantir que permaneça menos tempo na zona de conversão.

O mundo inteiro — não só a Nasa — espera que tudo corra bem e que, ao atingir algum ponto do Oceano Pacífico, os astronautas voltem à Terra são e salvos…. e com muita história para contar.