Ministro da Saúde sugere que obesidade infantil é culpa da “falta de mãe em casa”

Ricardo Barros fez afirmação polêmica durante Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil uma semana após gafe de Temer no Dia das Mulheres

Essa não é a primeira vez que o ministro se envolve em uma polêmica do tipo| Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), associou o aumento de peso durante a infância à falta das mães em casa. A fala foi feita durante evento de lançamento de compromissos do governo para diminuir a obesidade no Brasil ocorrida nesta terça-feira (14/3).

“Eu queria falar um pouco do fato de a criança não saber cozinhar. As mães não ficam em casa e as crianças não têm a oportunidade de acompanhar, como era antigamente, a mãe nas tarefas diárias, na preparação do alimento. E isso vai ficando cada vez mais distante, a capacidade de pegar um alimento natural e saber consumir”, disse. Barros não comentou sobre a importância do envolvimento dos pais na alimentação das crianças.

Ele voltou a falar sobre a importância das mães na alimentação quando afirmou que deve conversar com o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), para que o Ministério da Saúde ofereça nas escolas públicas campanhas que estimulem o consumo de alimentos saudáveis.

“Isso vai permitir que as crianças sejam orientadas nessa questão da alimentação, no exercício físico e a qualificar a manipular os alimentos. Muitas delas não ficam em casa com suas mães e não têm a oportunidade de aprender a descascar os alimentos”.

Mais uma polêmica

A fala veio na semana seguinte ao controverso discurso do presidente Michel Temer (PMDB) no Dia Internacional das Mulheres. Na ocasião, o presidente afirmou ter “consciência do que a mulher faz pela casa” e, sobre Economia, que não havia ninguém melhor que a mulher para “indicar desajustes de preços no supermercado”.

O próprio ministro Ricardo Barros já havia se envolvido em uma polêmica referente a uma fala relacionada à mulher. Em agosto do ano passado, ele afirmou que os homens trabalham mais que as mulheres e, por isso, procuram menos atendimento médico.

Entretanto, uma pesquisa apresentada pelo próprio ministro que a maior parte da população masculina (55%) alegava que “nunca precisou” ir ao médico e iam ao hospital apenas em caso de urgência. Apenas 2,8% dos homens apontaram o horário de funcionamento das unidades de saúde como motivo para não procurarem atendimento preventivo.

Metas da ONU

O evento em que o ministro da Saúde fez sua apresentação foi o Encontro Regional para Enfrentamento da Obesidade Infantil. Ele faz parte da implementação da Década de Ação das Nações Unidas (ONU) para a Nutrição (2016/2025), que incentiva o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis.

O Brasil assumiu como compromisso atingir três metas: deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar em no mínimo de 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

No Brasil, é possível notar que a população tem reduzido o consumo de alimentos básicos ao mesmo tempo em que aumenta o consumo de processados. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (2013), mais da metade dos brasileiros está com excesso de peso. A incidência é maior em mulheres (59,8%) do que em homens (57,3%). A obesidade também segue o mesmo padrão. 25,2% das mulheres adultas do país estão obesas contra 17,5% dos homens.

O índice mantém a mesma proporção na América Latina. Segundo dados do relatório Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional da OMS (2016) 58% da população da América Latina está com sobrepeso e 23% está obesa. (Com informações do Ministério da Saúde)

9 Comment threads
1 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
9 Comment authors

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Marquezotti

Caro Ministro
Não sou seu fã , mas concordo em número , gênero e grau neste caso.
A verdade pode doer para algumas , mas não deixará de ser verdade.
Felizmente é uma meia duzia de MULHERES infelizes.

Edelcio Batista Sereno

Embora eu considere o Ministro como figura meramente decorativa, já que não há política de saúde pública, não existe nada de novo no que ele diz, basta ver os países mais desenvolvidos, onde as mães têm vida profissional mais ativa e os índices de obesidade infantil. É o preço a pagar pelo progresso.

CARVALHO

nada melhor que a comidinha caseira da mãe da gente……..

Wagner Krohling

Mais uma prova que tolos e incompetentes no Brasil, desde que no partido certo, conseguem seu estrelato.

Wagner Krohling

A indústria de alimentos está “açucarado” as formulações de produtos a níveis assustadores há décadas, já que o açúcar e’ uma das matérias primas mais acessíveis e abundantes e ninguém fala nada.
O Ministério da Saúde, a Anvisa e outros órgãos reguladores precisam baixar normativas de limites de açúcar nas formulações dos alimentos industrializados, que e’ excessivo. Só que o lobby e os fabricantes adoram essas campanhas que miram o objetivo de conscientização para consumo de alimentos mais saudáveis e não para o mal causado pelo açúcar nos alimentos industrializados atualmente.

AntonioBrasil

Seria sábio ficar calado

Anderson Sizenando Chantal Moreira

Ele só está dizendo a verdade, crianças em casa sozinhas sem a orientação de um adulto, só come besteira, mas o direito ao trabalho conquistado pelas mulheres é mais importante que a saúde de seus filhos. Outra verdade é em relação ao sistema de saúde, mulher qualquer gás preso tá indo no médico.

Regis Gonçalves

A mulher não faz o que deve, e também não faz bem feito aquilo que acha que lhe colocará em igualdade ao homem. Não se muda a ordem das coisas como a natureza fez. Hipócrita a mulher que pensa que pode mudar isso.

Marcelo

MDS. Comentário direto do século XII. Melhore.

JOAOZINO

AS FILAS EM POSTOS DE SAUDE ,TAMBEM SAO FALTA PRESENCA E COMPETENCIA DE AUTORIDADE COMPETENTE