Ministro anuncia corte de verbas para universidades que promovam ‘desordem’

Três instituições já tiveram seus repasses reduzidos, UnB, UFF e UFBA

Foto: Reprodução

Segundo o ministro da Educação Abraham Weintraub, o MEC irá cortar os recursos das universidades que não obtiverem o desempenho acadêmico esperado e estejam ainda, promovendo desordem no Câmpus.

A pasta já avaliou as universidades segundo esses critérios, e três já foram enquadradas, tendo, portanto, seus repasses reduzidos, são elas: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense(UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O ministro alegou também, que Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, está sob avaliação.

Critérios

O ministro declarou ao Estadão que as universidades estão utilizando seu espaço para promover eventos políticos, manifestações partidárias ou festas, que segundo ele, são inadequadas ao ambiente universitário.

Weintraub não entrou nos pormenores de quais seriam as manifestações que aconteceriam nas instituições de ensino, nem os rankings dos quais ele acredita que as universidades devem enquadrar-se, mas afirmou: “A lição de casa precisa estar feita: publicação científica, avaliações em dia, estar bem no ranking.” Ele, no entanto, não citou rankings. 

Na semana passada, o MEC bloqueou 30% das verbas orçamentárias das três universidades, sendo que os cortes atingem as chamadas despesas discricionárias, cuja função é custear gastos como água, luz, limpeza, bolsas de auxílio a estudantes, entre outros. Já os recursos destinados ao pagamento de pessoal não podem ser reduzidos, tendo em vista que são obrigatórios.

Panorama atual da Educação

De acordo com informações do Estadão, a Educação foi a pasta que mais sofreu bloqueio em termos absolutos, apesar de o corte ter sido proporcionalmente menor do que o de outros ministérios. O governo bloqueou, portanto, quase 25% do dinheiro que estava reservado para custear esses gastos, tendo em vista que A Lei Orçamentária estabelecia cerca de R$ 23,7 bilhões para despesas discricionárias na Educação como um todo.

Apesar de o ministro ter usado como régua para determinação dos alvos de contingenciamento, o parâmetro “balbúrdia”, outras universidades federais têm sofrido cortes em todo o país. Todas elas tiveram bloqueio de valores de emendas parlamentares, e somente 40% do recurso de custeio liberado para o 1.º semestre.

Contraponto

Ainda que o ministro tenha incluído as três universidades em questão nos critérios de corte baseado em desempenho acadêmico, o ranking da publicação britânica Times Higher Education (THE), um dos principais em avaliação do ensino superior, mostra que Unb e UFBA tiveram melhor avaliação na última edição.

De acordo com a pesquisa, na classificação das melhores da América Latina, a UNB passou da 19.ª posição, em 2017, para 16.ª no ano seguinte. A UFBA passou da 71.ª para a 30.ª posição. A UFF manteve o mesmo lugar, em 45.º.

A publicação destaca também que as três se sobressaem pela boa avaliação em ensino e pesquisa. E UNB e UFBA aparecem entre as 400 melhores instituições do mundo em cursos da área da saúde.

O Jornal Opção entrou em contato com a Reitoria da Universidade Federal de Goiás, para saber a situação atual situação da instituição em relação aos cortes, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos resposta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.