Ministério Público recebe 40 denúncias contra João de Deus em menos de um dia

MP criou um canal online exclusivo para que as denúncias possam ser feitas

A força-tarefa instituída pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) para apurar as acusações de abuso sexual feitas contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, recebeu nesta segunda-feira, 10, cerca de 40 contatos de mulheres que se identificaram como vítimas.

35 das supostas vítimas procuraram o MP-GO pelo e-mail criado exclusivamente para este fim: [email protected]. Os depoimentos de todas essas vítimas serão agendados para serem colhidos nos próximos dias.

O procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, assinou portaria designando cinco promotores e duas psicólogas da equipe do MP para integrarem a força-tarefa. O grupo é composto pelo promotor de Justiça Steve Gonçalves Vasconcelos, que está em substituição da Promotoria de Abadiânia, onde os fatos teriam acontecido e onde tramitarão eventuais ações penais; o coordenador e o coordenador adjunto do Centro de Apoio Operacional (CAO) Criminal do MP, Luciano Miranda Meireles e Paulo Eduardo Penna Prado; a coordenadora do CAO dos Direitos Humanos, Patrícia Otoni, e a promotora Gabriella de Queiroz Clementino, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). As psicólogas são as servidoras Liliane Domingos Martins e Lícia Nery Fonseca.

A Polícia Civil (PC) também divulgou contatos para denúncias. Além do 197 (Disque Denúncia), o 62 3201-1140 também está disponível.

Caso

Apesar de já ter sido absolvido pela Justiça goiana em uma denúncia de ato libidinoso contra uma adolescente de 16 anos em 2008, na Casa de Dom Inácio de Loyola, com processo julgado em 2013, João de Deus voltou a ser exposto nesta última sexta-feira, 7, após mulheres fazerem uma denúncia com o mesmo teor no programa “Conversa do Bial”, apresentado por Pedro Bial.

Em três meses de investigação, a equipe de Pedro Bial colheu dez depoimentos de mulheres que afirmaram ter sofrido algum tipo de abuso sexual. Elas disseram que estavam em busca de tratamento espiritual, na Casa de Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, quando foram, de alguma maneira, abusadas sexualmente pelo celebrado médium.

Agora, porém, para a promotoria, as denúncias apontam a prática de três crimes: violação sexual mediante fraude, com pena de até seis anos; estupro, caracterizado por qualquer ato libidinoso, mediante violência ou grave ameaça, cuja pena é de até dez anos de prisão; e estupro de vulnerável, o mais grave, punido com até 15 anos de prisão. Podem ainda ser tomadas medidas nas áreas cível, como a interdição da Casa de Dom Inácio de Loyola.

Além disso, segundo a Promotoria, o processo arquivado poderá ser reaberto, caso surjam novas provas. Um levantamento de casos envolvendo o médium está sendo feito na Promotoria local, inclusive para checar se há mais casos arquivados.

Defesa

A defesa de João de Deus, Alberto Toron se posicionou sobre as acusações de abuso sexual contra o médium. Em entrevista ao programa ‘Fantástico’, foi dito que João “nega e recebe com indignação a existência dessas declarações”.

“O que eu quero esclarecer, que me parece importante que se esclareça ao grande público, é que ele tem um trabalho de mais de 40 anos naquela comunidade, atendendo a todos os brasileiros, atendendo gente de fora do país, sem nunca receber esse tipo de acusação”, disse o advogado Alberto Toron.

Ainda segundo o defensor, João de Deus deve procurar as autoridades de Abadiânia (GO) para dizer que está à disposição da Justiça.

O médium deverá ser ouvido na sede da Delegacia de Investigações Criminais (Deic), que fica na Cidade Jardim, e é a unidade que concentra as investigações de abuso sexual contra o líder espiritual.

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