Todos os casos denunciados dizem respeito a estupros de vulnerável. Ao todo, 15 supostas novas vítimas foram apresentadas pelo MPGO. Elas são do Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Espirito Santo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul

Foto: Divulgação

O Ministério Público de Goiás (MPGO) ofereceu, na manhã desta terça-feira, 29, nova denúncia contra João Teixeira de Faria — conhecido popularmente como João de Deus.

O promotor de justiça Luciano Miranda, que também integra a força tarefa em questão, disse, durante coletiva de imprensa na sede do Ministério Público, que trata-se de nova denúncia por crime sexual envolvendo 15 novas vítimas.

“Destas 15 vítimas, cinco os crimes ainda não prescreveram e outras dez os crimes já prescreveram”, explicou o promotor. “Fizemos um levantamento e até o momento já foram oferecidas 10 denúncias envolvendo abusos sexuais. Dentre elas, 53 vítimas são de fatos que não prescreveram e 80 já prescritos. Ou seja, até o momento 133 vítimas já tiveram seus relatos apresentados ao Judiciário”.

Dentre os novos relatos apresentados pelo MPGO ao Judiciário, estão vitimas dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Espirito Santo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

De acordo com Miranda, o Ministério Público conta, ainda, com mais de duas centenas de relatos a serem levados ao Poder Judiciário. “É um trabalho demorado que envolve contato com a vítima. Às vezes há certa dificuldade, por parte da vítima, em querer prosseguir com a denúncia. O medo ou temor acaba por afugentar algumas delas”, disse.

Segundo a promotora de Justiça, Ariane Patrícia Gonçalves, todos os casos denunciados dizem respeito a estupro de vulnerável. “É aquela situação onde a pessoa não pode oferecer resistência por causas diversas. (…) Eram pessoas que estavam com a saúde extremamente debilitada que vinham lutando com problemas de saúde há muitos anos, algumas durante sua vida inteira e viram ali, no João de Deus, a última esperança para cura. Eram pessoas que acreditavam cegamente na autoridade espiritual dele. Elas procuraram tratamento e ele praticou esses atos libidinosos dentro de uma sala reservada”, explica.

Segundo a promotora, as vítimas relataram que ao questionarem o médium sobre o porquê daqueles atos, ele argumentava: “Não se trata de sexo. Isso é parte do tratamento”. Vale lembrar que o médium responde também por outras duas denúncias sobre porte ilegal de arma de fogo.

A defesa do médium foi procurada, no entanto ainda não se pronunciou sobre o assunto. Assim que a reportagem receber retorno a matéria será atualizada.