Ministério Público de São Paulo denuncia CEO do Grupo JBS

Além de Joesley Batista, presidente do Banco Rural e outros sete executivos foram indiciados por crime contra o Sistema Financeiro Nacional

| Foto: Agência Senado

Ministério Público encontrou indícios de esquema para burlar legislação que impede que instituições financeiras emprestem dinheiro para grupos de seu próprio conglomerado | Foto: Agência Senado

Nove executivos do Grupo JBS e do Banco Rural foram indiciados pelo Ministério Público Federal em São Paulo (MPSP) por crime contra o Sistema Financeiro Nacional. A denúncia do MPSP se baseia em operações ilegais de concessão de empréstimos feitos em 2011 e inclui o CEO da J&F Incorporações, holding que controla a JBS, Joesley Mendonça Batista; e o presidente do Banco Rural, Haroldo dos Santos Lima.

Também são citados na denúncia o diretor financeiro da J&F, Antonio José Barbosa Guimarães; o presidente do Banco Original, Emerson Fernandes Loureiro; seu vice, José Eduardo Tobaldini Jardim; a presidente da Trapézio S.A., Kátia Rabello; seu vice, Plauto Gouveia; o vice-presidente e o diretor financeiro do Banco Rural, respectivamente, Vinícius Samarane e Wanmir Almeida Costa.

Segundo o MPSP, os valores envolvidos nas operações, chamadas de “troca de chumbo”, chegam na casa dos R$ 80 milhões. As trocas de chumbo são operações em que duas instituições financeiras de grupos econômicos diferentes atuam em conjunto para conceder empréstimos a uma ou mais empresas que façam parte dos grupo empresariais delas.

A denúncia, aceita no dia 19 de janeiro pela Justiça Federal, se baseia nos artigos 34 da lei 4.595/64 e 17 da lei 7.492/86, que proíbem que instituições financeiras emprestem dinheiro a empresas que façam parte de seu próprio conglomerado.

O caso denunciado pelo MPSP envolve, além do Banco Rural, duas empresas do Grupo JBS, a J&F Participações e a Flora Produtos de Higiene e Limpeza, e um banco, o Original, que também faz parte do conglomerado; além da Trapézio S.A., que controla o Banco Rural. De acordo com a investigação, de forma indireta, tanto o Banco Original quanto o Banco Rural conseguiram burlar a lei e fazer empréstimos a empresas de seus respectivos grupos.

Em 2011, um dia depois de abrirem contas no Banco Rural, as empresas do Grupo JBS conseguiram junto à instituição R$ 80 milhões em empréstimos. O montante total, descontados impostos e taxas, foi de R$ 79,3 milhões, creditado nas contas das empresas no Banco Original.

Poucos dias depois a Trapézio S.A. conseguiu um empréstimo do mesmo valor com o Banco Original e a quantia foi transferida para a conta da empresa no Banco Simples, que faz parte do mesmo grupo do Banco Rural.

Procurada pelo Jornal Opção, a assessoria do Grupo JBS não soube informar se divulgará uma nota resposta e até a conclusão da matéria ainda não havia se manifestado.

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