Ministério do Trabalho interdita frigorífico da JBS em Senador Canedo

Interdição ocorre dois dias após vazamento de amônia intoxicar mais de 40 funcionários 

Divulgação

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A Superintendência do Ministério do Trabalho em Goiás interditou, no início da noite desta quinta-feira (22/9), o sistema de produção de carnes do frigorífico da JBS, em Senador Canedo, dois dias após um vazamento de amônia ter deixado mais de 40 funcionários intoxicados.

Em nota, a superintendência afirma que interditou o sistema de tubulação em que opera gases tóxicos na unidade, como é o caso da amônia, o que consequentemente interrompe também a produção na unidade.

A área administrativa do frigorífico continua funcionando normalmente. O objetivo, segundo o órgão, foi verificar as condições de trabalho na unidade, com foco na garantia da segurança dos funcionários. De acordo com o auditor fiscal Rogério Silva Araújo, que integrou a equipe de fiscalização, os funcionários estavam sujeitos a novos vazamentos.

“Além disso, identificamos falta de inspeção das tubulações que transportam os gases sob pressão, em especial as que transportam amônia”, explica Rogério. “Sem falar no enorme risco de explosão”, acrescenta o auditor fiscal. Em função da interdição das tubulações, todas as atividades do frigorífico ficam comprometidas ou suspensas.

Acidente

Na última terça-feira (20), um cano externo da empresa teria sido rompido e a substância entrado pelas janelas da unidade, afetando os trabalhadores. Alguns funcionários foram atendidos no ambulatório da companhia e, posteriormente, encaminhados ao hospital local.

Este foi o terceiro vazamento de amônia registrado em frigoríficos da JBS nos últimos 30 dias. No dia 31 de agosto, um episódio semelhante foi relatado em uma unidade da multinacional em Campo Grande (MS). Na mesma semana, a unidade do Minerva, em Barretos (SP), registrou um vazamento de amônia que deixou um morto e 30 feridos.

A amônia é utilizada em sistemas de refrigeração pelos frigoríficos. É um gás tóxico e pode levar à morte quem o inala.

Reposta

Ainda na noite de quinta-feira (22/9), a empresa JBS encaminhou nota à imprensa na qual afirma que os “itens apontados na fiscalização do MTE constam no plano de ação da Companhia, que atenderá a todas as determinações dentro dos prazos”.

Ainda de acordo com a responsável pelo frigorífico, o incidente ocorrido na última terça-feira (23/9) não tem relação com a auditoria realizada pelo Ministério do Trabalho. Confira a resposta na íntegra:

 

Nota à imprensa

A JBS confirma a inspeção do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizada hoje (22) na unidade de Senador Canedo (GO), que resultou na interdição da planta. A retomada da produção deverá ocorrer após a entrega dos documentos solicitados pelo órgão, o que deve ser realizado nesta sexta-feira (23). A empresa informa que os itens apontados na fiscalização do MTE constam de plano de ação da Companhia, que atenderá a todas as determinações dentro dos prazos determinados. A JBS esclarece ainda que o incidente ocorrido no dia 20 deveu-se a uma falha operacional sem relação com a auditoria do MTE.

São Paulo, 22 de setembro de 2016.

*Alterada às 9 horas de sexta-feira para acréscimo de nota resposta da empresa JBS

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