Meta é alvo de ação internacional por suposta leitura de conversas no WhatsApp
26 janeiro 2026 às 17h30

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Um grupo de usuários da Austrália, Brasil, Índia, México e África do Sul ingressou com uma ação judicial internacional contra a Meta e o WhatsApp, alegando que a empresa “armazena, analisa e pode acessar virtualmente todas as comunicações supostamente privadas” realizadas no aplicativo. A acusação contraria as garantias públicas da companhia sobre a proteção das mensagens por meio de criptografia.
A ação foi protocolada na sexta-feira, 23, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos, em São Francisco, e tem como alvo também executivos da empresa comandada por Mark Zuckerberg. Segundo os autores, a Meta teria induzido bilhões de usuários ao erro ao afirmar que não tem acesso ao conteúdo das conversas trocadas no WhatsApp.
De acordo com a petição, a Meta transformou a criptografia de ponta a ponta em um dos principais pilares do WhatsApp, sustentando que apenas remetente e destinatário poderiam ler as mensagens. O próprio aplicativo informa aos usuários que “somente as pessoas nesta conversa podem ler, ouvir ou compartilhar” o conteúdo, já que a criptografia estaria ativada por padrão.
Os autores da ação, no entanto, sustentam que essas declarações seriam enganosas. Eles afirmam que a Meta, que adquiriu o WhatsApp em 2014, armazenaria o conteúdo das comunicações e que funcionários da empresa poderiam ter acesso às mensagens, embora o processo não detalhe a origem das denúncias apresentadas.
Os advogados solicitam que o tribunal reconheça o caso como uma ação coletiva. Profissionais dos escritórios Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan e Keller Postman, listados na ação, não responderam aos pedidos de comentário. Outro advogado dos autores, Jay Barnett, do escritório Barnett Legal, informou que não se manifestaria sobre o caso.
A Meta reagiu duramente às acusações. Em declaração à imprensa, o porta-voz da empresa, Andy Stone, classificou o processo como “frívolo” e ameaçou adotar medidas contra os advogados dos autores. Segundo ele, “qualquer alegação de que as mensagens do WhatsApp não são criptografadas é categoricamente falsa e absurda”.
Ainda de acordo com o porta-voz, o WhatsApp utiliza criptografia de ponta a ponta baseada no protocolo Signal há cerca de uma década. “Este processo é uma obra de ficção frívola”, completou.
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