Mesmo com pandemia e falta de insumos, indústria goiana cresce

De acordo com empresário e presidente da Fieg, Sandro Mabel, únicos meses de 2020 em que a produção foi negativa foram nos meses de março e julho

Montadoras têm queda de produção por falta de matéria-prima | Foto: Divulgação

Mesmo que a passos lentos, por conta da pandemia de Covid-19, a economia goiana continua crescendo. Pesquisa Industrial Mensal do IBGE constatou crescimento da produção industrial no Estado pelo quarto mês consecutivo em relação ao ano anterior. Em agosto, Goiás obteve expansão de 3,1% comparado a agosto de 2019.

De acordo com o empresário e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, a economia tem ensaiado uma retomada nesse segundo semestre de 2020.

Empresário Sandro Mabel | Foto: Alex Malheiros

“Entretanto, um crescimento consistente, contínuo e engrenado ainda é uma dúvida, e depende não só dos investimentos do setor privado, mas também das ações do governo. No início da pandemia houve uma queda na confiança do empresário, o que se refletiu na redução da produção”, pontuou.

Segundo ele, a confiança está sendo restabelecida. Ao menos para o Índice de Confiança no Empresário Industrial, já está acima dos níveis pré-crise.

“O arrefecimento nos números da Covid-19, com redução das contaminações e mortes, tem impactado no aumento da demanda, o que vem sendo seguido do aumento da oferta, com aquecimento da produção e retomada das contratações, ainda que em ritmo lento”, observou.

“O setor industrial tem feito o ‘dever de casa’. A grande dúvida que surge agora é quanto ao impacto no consumo das famílias com o fim do auxílio emergencial, e ainda, se o Brasil vivenciará uma segunda onda da Covid-19 como tem ocorrido em outros países”, argumenta.

Falta de matéria-prima

Uma das vantagens da indústria goiana é que suas maiores produções estão ligadas ao setor alimentício, muito dependente do agronegócio. Também o minério. Com isso, a falta de insumos que tem afetado a cadeia de produção de indústrias, como a do vestuário (com a falta do algodão) ou das montadoras (com a falta do aço), não afeta de maneira tão impactante a economia goiana.

“Ao longo desse ano, a produção industrial foi negativa apenas em março e julho, sendo que no acumulado do ano já apresenta crescimento de 1,8%, ocupando a segunda colocação no ranking entre os Estados. Outra grande riqueza de Goiás é o setor mineral, que é imprescindível para o Brasil e o mundo, sendo vetor do progresso e sinônimo de desenvolvimento. Setores que não pararam durante a crise.”, destacou o empresário.

“Entretanto, outros setores reduziram a produção, e hoje trabalham com capacidade ociosa com dificuldades de retomada. Um exemplo é a indústria automotiva, que acumula queda de 11% nos últimos 12 meses”, apontou Mabel.

Pequenas e médias empresas

Já entre as empresas mais afetadas pela pandemia estão as micro, pequenas e médias indústrias. Muitas fecharam as portas sem recursos para seguir em frente diante da crise. “Mais de 90% das indústrias goianas são de micro, pequeno e médio porte, e pensando nisso consolidamos o programa Fieg Induscred, uma parceria firmada entre Fieg, Sicoob Engecred, Sicoob Crediadag e Sistema OCB-GO. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito com taxas de juros mais baixas”, informou.

“Quanto à qualificação de mão de obra, temos Sesi e Senai trabalhando intensamente, tanto que estamos oferecendo 21 mil bolsas de qualificação profissional totalmente de graça”, conta o empresário.

Segundo Mabel, os efeitos da pandemia na indústria goiana foram os mesmos observados nacionalmente: queda na demanda com desaquecimento da produção. “A retomada da economia já vem sendo esboçada, porém, muitas empresas ainda ressentem os efeitos da crise”, afirmou.

“Acreditamos que ações simples podem ajudar diante desse cenário, como por exemplo a implantação de um Refis para Goiás, cuja permissão já foi concedida pelo Confaz. Sobre esse assunto, a Fieg já encaminhou ofício à Secretaria da Economia solicitando atenção e agilidade nessa implantação. Outro ponto importante é a ampliação do alcance do FCO, com sistematização dos repasses, garantindo recursos durante todo o ano.”

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