Mesmo com leitos disponíveis, Prefeitura de Goiânia deixou de atender pacientes de UTI

Relatório, entregue à polícia por um grupo de vereadores, pede responsabilização da gestão Iris por mortes na capital

Vereadores denunciam à Polícia mortes por falta de UTIs | Foto: Mayara Carvalho / Jornal Opção

O caos na saúde de Goiânia virou, mais uma vez, caso de polícia. Os vereadores Elias Vaz (PSB), Delegado Eduardo Prado (PV) e Felisberto Tavares (PR) entregaram, nesta terça-feira (6/3),  na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH) relatório que comprova que mesmo com leitos disponíveis, pacientes não conseguiam vaga em UTI.

De acordo com Elias Vaz, que também é relator da CEI que investiga as irregularidades na saúde, o relatório entregue ao delegado aponta para a possibilidade de haver uma seleção de  pacientes para as vagas de UTI.

“Os pacientes que provavelmente poderiam dar mais despesa, reduzindo o lucro desses proprietários de UTIs, eles não tinham essa vaga disponibilizada. Por exemplo, os idosos dificilmente conseguiam um leito”, relata.

O documento entregue à DIH é baseado em relatório oficial da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e mostra que 41% dos leitos de UTI em Goiânia estavam disponíveis todos os dias no período de agosto de 2016 a agosto de 2017. O Ministério da Saúde recomenda que a taxa de ocupação das UTIs deve ser de no mínimo 90%.

De acordo com o relatório, em 2017, existiam 77 leitos de UTI Neonatal em Goiânia. Entretanto, a média de desocupação era de cerca de 50%. Durante todos os dias uma média de 39 leitos ficavam vagos e não eram disponibilizados para quem estava na fila de espera.

Ainda segundo o vereador, o contrato entre a prefeitura e os proprietários de UTIs previa que as vagas seriam automaticamente liberadas para a regulação, que, por sua vez, distribuiria de acordo com a necessidade dos pacientes. Mas, na prática, os hospitais decidiam se disponibilizariam ou não a vaga.

“A secretaria continua sendo omissa. Olhamos no sistema online junto ao delegado e contatamos que neste momento existem 82 pessoas na fila de espera por uma vaga em UTI, mas temos a convicção de existem mais de 100 leitos ociosos”, relata Elias.

Caso de polícia

O delegado Tiago Damasceno Ribeiro disse que não comentaria o mérito da denúncia porque o processo ainda será encaminhado à direção da polícia para a definição de qual delegacia ficará responsável pela investigação.

“O que os vereadores trouxeram aqui hoje é uma notícia crime de fatos graves que envolvem a saúde pública e, diante dessa representação, nós repassaremos à Superintendência da Polícia Civil que irá deliberar a cerca de qual delegacia que, de fato, vai investigar esse caso”, explicou.

Para o Delegado Eduardo Prado, a denúncia envolve questões intrínsecas de homicídio doloso ou culposo, além de omissão e atos de improbidade administrativa. “Independente de delegacia ou delegado que for conduzir a investigação, nós da Câmara Municipal vamos dar suporte e será uma investigação muito detalhada que vai identificar as pessoas responsáveis.”

Uma resposta para “Mesmo com leitos disponíveis, Prefeitura de Goiânia deixou de atender pacientes de UTI”

  1. Fabiano Oliveira disse:

    Esse Dr. Eduardo Prado já é um dos melhores vereadores da história de GOIÂNIA ! Merece virar Deputado !

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