Mesmo após 26 anos do lançamento, Super Nintendo segue movimentando mercado em Goiânia

Em tempos de videogames super tecnológicos, clássico console da empresa japonesa ainda atrai muitos jogadores e faz sucesso nas lojas especializadas 

| Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Loja Old Games, em Campinas, é um paraíso para quem gosta de videogames, principalmente dos antigos | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Já faz quase 26 anos que a Nintendo apresentou ao mundo um dos videogames mais famosos da história. E mesmo hoje, com o mercado disponibilizando consoles muito mais avançados, com tecnologia de ponta e jogos tão bem feitos que parecem cenas de um filme, ainda há espaço para o bom e velho Super Nintendo no coração dos apaixonados por games.

O popular console, mesmo depois de tanto tempo, ainda movimenta dinheiro e atrai gente interessada em reviver a infância ou mesmo ter um primeiro contato com a experiência que o Super Nintendo proporciona. Em Goiânia, a realidade não é diferente: as lojas ainda se interessam em adquirir o aparelho e o público procura cada vez mais por ele.

Em Campinas, praticamente qualquer loja de videogames tem um Super Nintendo disponível no estoque. Com valores que vão de R$ 100 a R$ 300 e com cartuchos com preços entre R$ 50 e R$ 250, o console e os jogos vendem bem. Em uma delas, a Old Games, por exemplo, o proprietário dono Ramon Martins costuma comercializar pelo menos dez consoles e trinta cartuchos por mês.

Quem estiver interessado em retornar aos videogames antigos ou mesmo em ter esta experiência pela primeira vez deve se preparar para gastar um pouco, mas não com o aparelho em si, que pode ser encontrado por um preço bem em conta. O mais caro são os jogos, que, quando muito concorridos, ultrapassam facilmente o preço do console, ao contrário do que acontece com os videogames atuais.

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Alguns cartuchos, como Zelda, são mais concorridos e acabam saindo mais caro | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Além de serem mais concorridos, alguns games simplesmente tiveram uma tiragem pequena – o que eleva, e muito, seu preço de mercado. É o caso, por exemplo, de Donkey Kong Country Competition Edition, que, conta Ramon, já chegou a ser vendido por valores na casa dos R$ 8 mil. Há também alguns jogos que só foram lançados em determinados países: até o Brasil ganhou um game exclusivo, o Super Copa, muito raro, que chega a custar US$ 200 no Ebay, segundo Ramon.

É claro que estes são exceções, mas os cartuchos mais famosos quando se trata de Super Nintendo quase nunca saem por menos de R$ 100. O clássico Donkey Kong, por exemplo, é vendido na loja por R$ 120. Super Mario World, aquele que talvez seja o game mais famoso da Terra, é difícil de encontrar – “Não fica um dia na loja”, diz Ramon -, mas o jogador consegue comprá-lo por cerca de R$ 150. Os cartuchos mais caros do estabelecimento são Street Fighter Alpha 2, vendido por R$ 220, e Zelda, que sai por R$ 200.

Alguns itens colecionáveis também são encontrados por lá. Renato da Silva, amigo de Ramon que o ajuda a tocar a Old Games, destaca o Mario Paint, um acessório para Super Nintendo que foi lançado em 1991. A caixinha, que está sendo vendida por R$ 150, vem com um cartucho e um mouse para encaixar no console e poder pintar os desenhos do jogo com mais habilidade que com o tradicional controle. Outro acessório que pode ser comprado na loja é uma arma que acompanha o jogo de tiro Super Scope 6.

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Os aficionados podem encontrar também alguns acessórios para completar a experiência | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Mas, embora o Super Nintendo dificilmente ultrapasse os R$ 200, alguns modelos também saem mais caro. Ramon conta, por exemplo, que o primeiro modelo lançado pela marca japonesa acaba custando mais que os demais, independentemente do estado de conservação. O critério, segundo ele, é a possibilidade de usar o chamado cabo Super Vídeo, que propicia cores mais vívidas. Os demais modelos não têm essa opção.

Tirando os cartuchos limitados e concorridos, no entanto, é bem mais barato se divertir com um Super Nintendo que com os videogames mais modernos. “Não é um hobby classe alta”, brinca Renato. “O cara quer jogar o que ele não jogou na época em que esses jogos foram lançados”, complementa Ramon. “Quem tinha dinheiro importou e jogava, né?”, pontuou.

Quase ao lado da Old Games, outra loja, a Games & Cia, também comercializa o amado console. Lá, o Super Nintendo sai na faixa de R$ 200 com uma fita mais comum, das que custam até R$ 50, de brinde. Um diferencial da loja é que eles também consertam consoles com defeito, o que pode ser a solução pra quem está com seu aparelho jogado em um canto, sem uso.

Assim como nos vizinhos, o que acaba saindo mais caro são os jogos. A raridade da Games & Cia é Super Mario World 2: Yoshi’s Island, o primeiro a colocar o simpático “dinossauro” que acompanha Mario em evidência, como o personagem principal. O game, muito procurado, custa R$ 220.

Já na América Games, também em Campinas, o console com dois controles sai por R$ 280. Também é fácil encontrar um Super Nintendo dando sopa nas bancas dos camelódromos da capital.

A experiência da loja

Como os donos destas lojas compram, basicamente, de pessoas que querem se desfazer do aparelho ou dos cartuchos, é difícil prever o que estará ou não em estoque. A impossibilidade de saber quando determinado item estará disponível é, inclusive, parte da graça de frequentar estes locais. Cada nova visita pode trazer surpresas aos colecionadores, que podem encontrar, em um dia de sorte, uma fita que estavam procurando ou mesmo um console nas condições desejadas.

O fotógrafo Renan Accioly, que conhece esta prática, explica: “Como é uma coisa que não se fabrica mais e geralmente aparece quando alguém vende para loja, você tem que ficar voltando lá e vendo o que tem. É igual comprar disco em sebo, toda hora que puder dar uma passada para ver se tem alguma novidade”.

Mais que um empecilho aos colecionadores, esta realidade acaba se tornando um prazeroso desafio. É comum que ir até a loja se torne uma rotina, um hábito cultivado com o objetivo de conseguir o tão sonhado game.

Segundo Ramon e Renato, no entanto, a internet facilitou bastante as buscas pelos jogos mais raros e disputados. Eles contam que muitos clientes entram em contato pelas redes sociais para saberem se determinado produto está disponível e vão direto para a loja ao receberem uma resposta positiva.

Os amigos Renato (à esquerda) e Ramon, que passam o dia na loja, mostram que, embora adorado, o Super Nintendo não faz sucesso entre todos: alguns são ferrenhos defensores da Sega e se recusam a comprar os jogos da NIntendo | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Os amigos Renato (à esquerda) e Ramon, que passam o dia na loja, mostram que, embora adorado, o Super Nintendo não é unânime: alguns são ferrenhos defensores da Sega e se recusam a comprar os jogos da Nintendo | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Outro benefício que vem desta rotina é que, o contato entre donos e colecionadores acaba, muitas vezes, resultando em amizade. A Old Games, conta Renato, existe desde de 1996 e foi comprada por Ramon há seis. Toda lotada de cartuchos, bonecos e consoles, tem desenhos na parede (que foram feitos ainda pelo primeiro dono do local) e um velho fliperama em um canto. Mais parece um quarto, na verdade, em que amigos se reúnem para conversar e, claro, jogar videogame.

E é assim mesmo: os clientes passam um bom tempo batendo papo com Ramon e Renato, discutindo lançamentos, narrações e versões exclusivas dos jogos preferidos. O destaque do local é um Xbox adaptado que Ramon usa para jogar praticamente qualquer título de diversos consoles diferentes. Evidentemente, os games acabam servindo de pretexto para mais análises e debates sobre o universo dos videogames.

Comprando pela Internet x lojas físicas

Apesar de bem servidas e de oferecerem uma experiência mais pessoal que a internet, as lojas físicas não são o principal destino de alguns aficionados quando se trata de adquirir novos consoles e jogos. Com a profusão de sites de compra e de grupos em que usuários das redes sociais comercializam produtos que têm em casa, muitos apaixonados por games conseguem ter mais opções e, muitas vezes, melhores preços, comprando online.

| Foto: Karina Migueleti

Carlos Eduardo em frente ao seu “santuário”: games ocupam boa parte da rotina do eletrotécnico | Foto: Karina Migueleti

É o caso, por exemplo, do eletrotécnico Carlos Eduardo de Moura, que monitora grupos em redes sociais e sites de compra para encontrar aparelhos e jogos por um bom preço. Como entende de eletrônica, ele chega a adquirir consoles estragados para consertá-los e revender depois. Mesmo cartuchos que deixaram de funcionar podem ser recuperados, segundo ele. A habilidade de consertar os itens também atrai outras pessoas. Ele conta que costuma consertar pelo menos um Super Nintendo por semana.

Declaradamente viciado, ele acumula, aproximadamente, oitenta cartuchos para o videogame – 30 japoneses e 50 americanos. Os mais caros da coleção, segundo ele, são Dr. Mario e Tetris, que foi comprado ainda na caixa e chegou para ele lacrado. Cada um saiu por R$ 150. Os preferidos, conta, são Superstar Soccer, Donkey Kong e Super Mario World. Só de Super Nintendo, ele tem três versões diferentes: o japonês, chamado Famicom, o Fat e o Baby.

Em casa, Carlos Eduardo criou um espaço em que a coleção é cuidadosamente exposta e ganhou destaque na decoração. Até a esposa Karina ajuda na manutenção. É ela quem recupera os videogames que, pelo longo tempo de uso, ficaram amarelados. A receita, para quem se interessar, é simples: basta misturar água oxigenada e Vanish, passar no aparelho e deixar por um tempo no sol. Muitos consoles já ficaram como novos depois da intervenção de Karina.

Além de participar de diversos grupos no Facebook, Carlos Eduardo também criou um para entrar em contato com colecionadores goianos. O Super Nintendo Goiânia é recente e ainda não tem muitos usuários. Na verdade, segundo ele, o objetivo é reunir um grupo confiável de pessoas para comercializar os itens relacionados ao console. Mais que apenas vender, os membros também aproveitam para procurar pelos games e aparelhos que desejam.

Renan Accioly é tão apaixonado por videogames quanto Carlos e também compra pela internet, mas apenas de pessoas que conhece. Ele quase sempre prefere as lojas físicas mesmo. Há sempre o risco de comprar coisas que não funcionam, o que, conta, já aconteceu com ele. “Jogo antigo pode ter mil problemas, por isso prefiro comprar pessoalmente porque dá pra testar”, explica.

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“De longe o Super Nintendo é o console mais completo que já joguei”, destaca Renan| Foto: Arquivo

Seu Super Nintendo é o terceiro que passou pela sua mão, presente de uma amiga: “Era um videogame de infância dela, só que estava sem cabos, controles e jogos e guardado no armário fazia uns sete anos. Eu já possuía os controles e alguns jogos de outro super Nintendo antigo que tinha e juntei tudo”, conta.

Ele tem cerca de trinta jogos, além de três controles e cabos originais. Os destaques da coleção são Blackthorne e Zelda: A Link to the Past, ambos originais. Antigamente, no entanto, ele tinha mais acessórios e jogos raros, que acabou tendo que vender.

O Super Nintendo dificilmente é o único console na coleção de um apaixonado por videogames, mas costuma ser um dos preferidos. “De longe o Super Nintendo é o console mais completo que já joguei. Além de franquias clássicas da Nintendo, como Mario e Zelda, o vídeogame era referência na época e tinha centenas produtoras parceiras, proporcionando centenas de excelentes jogos”, ressalta Renan.

Mais que apenas comprar novos jogos, os colecionadores também aproveitam as redes sociais para vender aquilo que não usam mais e levantar algum dinheiro comercializando os videogames. É o caso de Marcelo Alves que já vendeu quinze aparelhos no site OLX desde que começou sua coleção de Super Nintendo.

Quando foi entrevistado, tinha acabado de vender três para o mesmo colecionador. “Já perdi as contas de quantos caíram na minha mão. Quase todo dia me procuram por cartuchos novos”, conta Marcelo. O objetivo, no entanto, não é acumular dinheiro, mas sim conseguir verba para comprar novos cartuchos: “Eu não vendo a fins lucrativos, mas apenas para ampliar minha coleção. Aí eu vendo barato e o pessoal compra tudo”, explica.

Seu primeiro console, conta, foi comprado pela sua mãe, quando ele e o irmão ainda eram crianças. Mas a coleção atual surgiu depois que ele foi presenteado por um antigo patrão: “Eu trabalhava em uma lan house e meu ex-patrão me via jogando Super Nintendo no emulador direto. Aí, no dia do meu aniversário ele me deu um de presente”, relata.

Assim como Carlos Eduardo, ele só compra online e de amigos. Segundo ele, ao perguntar aos mais próximos quem tinha consoles e cartuchos para vender, acabou até ganhando alguns itens. Hoje, Marcelo tem cerca de vinte jogos em casa. Eram mais, mas ele optou por se desfazer de alguns: “Eu tinha uns 50, mas vendi os piratas e fiquei só com os originais”.

A unanimidade do Super Nintendo entre os gamers não mente: divertido e simples, o console deve permanecer popular ainda por muito tempo. Mesmo em tempos de Playstations 4 e Xbox Ones. E não custa muito conseguir o seu.

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William Dalosso

amo super nintendo e dreamcast hj possuo apenas o xbox 360

Assim Mesmo

Tbm tenho uma coleção de 250 cartuchos Super Nintendo, todos originais e em perfeito estado de conservação. Jogo até hoje, sempre que posso. Os jogos nunca ficarão velhos, é muito bom.

ANDERSON SILVA

Venderia toda a coleção? Pode por o valor!!!

Allan

No rio aonde tem loja de vocês?

Fernando guilherme de morais

Alguém aí sabe onde existe loja de cartuchos snes aqui no RJ me mandem endereço ou telefone por favor
De lojas ou conhecidos aqui do Rio,pois moro no caju zona portuária aqui do rio

marcos

eu tenho mega drive 2 e neo geo antigo de cartucho

joao

Maneiro esse NEO GEO.

joares

eu enho um super nintendo e alguns cartuchos queria saber quando custa.

joao

quais cartuchos?