Meio ao isolamento, intérpretes ganham espaço e garantem inclusão de surdos em lives

Presença de surdos em diferentes espaços é mais comum do que se imagina. No Brasil, são mais de dez milhões de pessoas nessas condições

O intérprete de libras tem se tornado, cada vez mais, um profissional indispensável nos últimos tempos. De maneira cada vez mais recorrente, é possível notar a presença dos intérpretes em conteúdos televisivos, produzidos para mídias digitais ou até mesmo em lives com transmissão ao vivo pelo YouTube.

Segundo a professora interprete de libras do Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), Gessilma Dias, a surdez não tem um esteriótipo, por isso, a presença de surdos nos diferentes espaços é mais comum do que se imagina.

“Não é um problema que possa ser percebido com facilidade. Às vezes alguém pensa: ‘não tem surdos aqui’, sem saber que eles estão ali. Então acaba sendo um população mais ou menos invisível”, diz.

A língua de sinais foi oficializada no Brasil no ano de 2002 e veio ao encontro do anseio de mais de dez milhões de brasileiros nessas condições.

Diante desta realidade, a profissional, que atua nesse ramo há mais de 21 anos, contou à reportagem que formou um grupo para trabalhar tanto na área educacional — onde se é mais comum encontrar interpretes — como nos espaços de mídias digitais onde este profissional vem ganhando cada vez mais valor.

“Assumi o papel de escalar essas pessoas para participarem de tradução em aulas de televisão, de pronunciamentos oficiais do governo e outras atividades, ou seja, temos uma equipe para cobrir diversos tipos de áreas, inclusive, mídias”, explicou.

Covid-19

Meio ao isolamento social gerado em decorrência da disseminação do coronavírus no Brasil, a intérprete frisou a necessidade de uma atenção redobrada para o “povo surdo”.

“Nesse momento todas as informações são importantíssimas. Infelizmente, em nenhum canal aberto existe a presença desse profissional, exceto na TV Cultura. No entanto, o povo surdo também precisa ter acesso à essas informações. Sabemos nessas condições a maioria da população brasileira tem se informado por meio da televisão”, considerou.

Por fim, ela disse que, apesar dos interpretes terem ganhado espaço nas mídias digitais, outras áreas extremamente importantes ainda carecem da prestação desse serviço. É o caso, por exemplo, da Saúde pública.

“Ainda não evoluímos nesse quesito. Vemos que quando um surdo chega a um hospital a troca de informações simplesmente não acontece. Especialmente agora, com o uso obrigatório de mascaras — haja vista boa parte dos surdos tendem a capitar informações visuais como os movimentos da boca para decifrarem a mensagem”, disse. Porém, em sua visão, “enquanto não houver lei, não haverá acesso”.

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