Médicos da Maternidade Célia Câmara anunciam greve de 48 horas por atraso de salários
06 março 2026 às 09h34

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Médicos que atuam no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia, anunciaram uma greve de 48 horas a partir das 7h da próxima segunda-feira, 9 de março. A paralisação foi deliberada em assembleia do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) realizada na última quarta-feira, 3, após relatos de atraso no pagamento das remunerações e dificuldades estruturais na unidade. De acordo com o sindicato, atendimentos de urgência e emergência serão mantidos durante o período.
Segundo o Simego, a paralisação ocorre porque a pauta de reivindicações apresentada pelos profissionais não foi atendida pelos gestores responsáveis pela unidade, entre eles a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, a Organização Social Sociedade Beneficente São José — responsável pela gestão da maternidade — e empresas terceirizadas vinculadas ao serviço.
Entre os principais pontos citados pelos médicos estão o pagamento imediato das remunerações atrasadas e a garantia de recursos humanos e materiais adequados para o funcionamento da maternidade. Em nota divulgada pelo sindicato, os profissionais afirmam que os atendimentos só serão retomados integralmente após o cumprimento das reivindicações.
A paralisação foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária Permanente realizada às 19h30 do dia 3 de março. O movimento prevê suspensão dos atendimentos eletivos entre as 7h do dia 9 e as 7h do dia 11 de março. Conforme determina a legislação, serviços considerados essenciais, como urgência e emergência, continuarão funcionando.
A maternidade Célia Câmara, localizada na região Noroeste da capital, é uma das principais unidades públicas voltadas ao atendimento obstétrico e neonatal em Goiânia. Inaugurada em 2020, a unidade foi estruturada para ampliar a rede de assistência ao parto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital e na Região Metropolitana.
Apesar disso, desde os primeiros anos de funcionamento, a maternidade tem sido alvo de recorrentes reclamações de profissionais da saúde e entidades de classe. Nos últimos anos, o Simego registrou sucessivas denúncias relacionadas a atrasos salariais, déficit de profissionais e problemas na gestão administrativa da unidade.
Em diferentes momentos entre 2021 e 2024, médicos que atuam no hospital também chegaram a suspender atendimentos ou ameaçar paralisações por razões semelhantes, especialmente ligadas ao pagamento de honorários e às condições de trabalho. As crises administrativas envolveram, em alguns casos, mudanças na gestão da unidade e questionamentos sobre contratos com organizações sociais responsáveis pela administração hospitalar.
Secretaria nega atraso de repasses
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia afirmou que não possui valores em aberto com as organizações sociais responsáveis pela gestão das maternidades municipais.
“A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informa que os pagamentos às organizações sociais gestoras das maternidades municipais são realizados rigorosamente dentro do prazo acordado e que não possui valores em aberto com as instituições”, diz o comunicado.
A pasta também informou que as outras unidades da rede municipal de obstetrícia seguem funcionando normalmente.
“A SMS pontua que tanto o Hospital e Maternidade Dona Íris quanto a Maternidade Nascer Cidadão atuam regularmente com índices de ocupação em torno de 90% e que não houve alteração no volume de atendimentos das unidades.”
Segundo a secretaria, a gestão municipal acompanha a situação e irá notificar a organização social responsável pela unidade sobre as denúncias apresentadas pelos profissionais.
“A secretaria destaca que monitora continuamente a disponibilidade e qualidade da assistência oferecida nas três maternidades e que notificará a instituição responsável pelo Hospital e Maternidade Célia Câmara (HMCC) sobre as denúncias realizadas pelos profissionais.”
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