Médico que agrediu casal de lésbicas diz que vai processar vítimas

Depois de dizer que “gays tem que morrer”, Ricardo Dourado afirma que foi ele quem sofreu agressão e que entrará na Justiça contra casal pela divulgação de vídeo

Um vídeo postado no Facebook pela estudante Angélica Santana, 27 anos, mostra o momento em que um homem, identificado como Ricardo Dourado, médico pneumologista em Goiânia, discute com a Angélica e a namorada, a turismóloga Giovana Alves, de 36 anos.

Protagonista da polêmica, Ricardo Dourado disse em entrevista ao Jornal Opção que já contratou um advogado que estuda o caso e entrará na justiça contra o casal. “Agressão foi o que ela fez comigo, me expondo nacionalmente com uma coisa ridícula dessas, usando meu nome como médico colocando uma foto da minha família. Eu posso sofrer agressão de homossexuais na rua”.

O caso ganhou repercussão na mídia depois que o Jornal Opção publicou uma matéria com os vídeos publicados por Angélica no Facebook. “Não fui agressivo hora nenhuma, tirando aquela parte que eu falei sem querer”, disse Dourado, se referindo ao momento do vídeo em que diz que “Gay, veado, tem que matar essa desgraça”.

Dourado disse ainda que elas responderão criminalmente por terem mentido. “Elas disseram que eu mexi com elas, que fui agressivo e que estava armado. Não é verdade. O que houve, foi simplesmente uma discussão de ideias, ninguém se exaltou. Só que ela começou a me agredir e falar um monte de besteiras”.

O vídeo mostra que o médico chama os homossexuais de “aberrações” e fala para a vítima “ir atrás de um homem”. “O mundo não é para isso. As aberrações… Esquece isso. Vai atrás de um homem bom para você e casa, vai ter filho. Isso é o normal. Vocês querem o anormal? Vocês vão lutar… No dia que você pular no rio você nada contra a correnteza.”

Quando questionado o que exatamente elas teriam dito de ofensivo, Dourado respondeu apenas que “isso não interessa. O que interessa é que eu não sou homofóbico”. Ele também se recusou a responder se tinha bebido no dia em que o vídeo foi gravado.

Ricardo Dourado defende que não é nem nunca foi homofóbico, “só não acho certo essa exposição em público”. O médico diz ter se sentido agredido pois “estava em local público, poderia estar com a minha filha menor de idade e isso não é certo. Simplesmente expus o meu posicionamento. Na minha opinião, lugar público não é lugar para ficar se beijando e se pegando”.

Em relato no Facebook, Angélica Santana contou que elas não estavam se beijando e lembrou que, mesmo se estivessem, isso não justificaria a atitude. “Não fui eu quem me expus, não fui. Não estava aos beijos, poderia estar, mas não estava. Apenas foi dito: ‘não encosta nela, ela não quer nada com você’. Poucas palavras, porém suficientes para desabrochar um homofóbico”, escreveu.

Ao Jornal Opção, Dourado contou ainda que não é a primeira vez que teve problemas com casais homossexuais. “Já tive outro aborrecimento parecido, quando estava em uma pousada e tinha um casal homossexual se pegando na piscina, na frente da minha filha que é menor de idade. Isso eu me sinto agredido, desrespeitado. A pessoa faz uma coisa na sua frente para te desrespeitar e você vai aceitar? Opinião cada um tem a sua e as pessoas tem que respeitar”, disse.

Uma resposta para “Médico que agrediu casal de lésbicas diz que vai processar vítimas”

  1. Paulo Rogerio Gaeta disse:

    Quem vai ser condenado por danos morais será ele.

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