MEC é acusado de “embranquecer” negra em postagem no Facebook

Imagem utilizada na rede social para enaltecer conquista de estudante da rede pública federal tem sido alvo de críticas dos usuários

Usuários do Facebook e página na rede social criticaram ação do Ministério da Educação | Imagem: Reprodução/Socializa o Design

Usuários do Facebook e página na rede social criticaram ação do Ministério da Educação | Imagem: Reprodução/Socializa o Design

Às 11 horas da manhã de sábado (28/5), o Ministério da Educação (MEC) publicou em sua página uma imagem com uma aluna da rede federal de ensino vencedora da Olimpíada Brasileira de Neurociências e uma frase da estudante, representada por uma ilustração. Só que o desenho recebeu muitas críticas desde então.

Até as 19h10 de terça-feira (31), a postagem tinha mais de 6,5 mil reações, entre curtidas e caras de espanto, mais de 1 mil compartilhamentos e 429 comentários, a maioria deles com fortes críticas ao “embranquecimento” de Lorrayne Isidoro. Até foto da estudante do Colégio Pedro II foi postada nos comentários para que fosse possível fazer a comparação com o desenho feito pelo MEC para caracterizar a aluna.

Classificada para as Olimpíadas de Neurociências na Dinamarca, Lorrayne aparece em ilustração com cabelos lisos e um tom de pele considerado mais “branco” do que o de verdade pelos usuários do Facebook. Para o MEC, que se manifestou por nota, como divulgou o jornal O Globo, a postagem “é um complemento da matéria e teve o único propósito de fazer uma representação da aluna a partir da fotografia da mesma postada no site da rádio MEC, tanto que a ambientação da imagem é a mesma”.

A ilustração que tem causado polêmica desde sábado retrata a aluna Lorrayne Isidoro, de 17 anos, que estuda na unidade Engenho Novo do Colégio Pedro II, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Vencedora da 4ª Olimpíada Brasileira de Neurociências (Brazilian Brain Bree), em São Paulo, Lorrayne ganhou a única vaga do Brasil na 16ª Olimpíada Internacional (2016 Brain Bree World Championship), que acontecerá na Dinamarca.

Por meio de uma vaquinha online, Lorrayne conseguiu quase quatro vezes o valor estimado para arcar com os custos da viagem, que foram calculados em cerca de R$ 15 mil. A quantia muito acima do estimado foi conseguido em cinco dias.

A postagem do MEC foi feita em homenagem à aluna vencedora da competição. Mas o Ministério da Educação preferiu usar uma ilustração ao invés da foto da aluna. E aí o que não faltou foi crítica pela forma como o desenho retrata a garota.

De acordo com os internautas e a página Socializa o Design, a estudante na ilustração tem a pele mais clara, cabelos lisos e traços mais finos no rosto.

Comentários 

“Só um parênteses: o desenho não parece nada com ela. Ela é afrodescendente e o desenho ao meu ver estar mais pra asiática. Acho que o MEC quis deturpar esse fato, hein!! Ela é negra, estudante de escola pública e muito capaz!!! Estamos bem representados apesar da precária assistência do MEC!!”, diz um dos comentários.

Em outra postagem nos comentários da ilustração, um dos internautas pede que o Ministérios respeite os méritos da aluna e a origem da instituição de ensino: “Parem de embranquecer a menina e de tirar o mérito da escola pública onde ela estuda. Nojentos”.

E continua: “Arte horrível, mau gosto, contrataram o assessor de comunicação do revoltados online?”. “Já vejo no futuro o Pelé sendo interpretado por um branco. Querem embranquecer tudo, que nojo!! A menina é negra e se for desenhar, que desenhe uma negra por favor.”

Na página Socializa o Design não faltaram críticas ao Ministério da Educação, à homenagem com “embranquecimento” na ilustração que caracteriza a aluna e ao governo interino:

As vezes o design e a ilustração podem ser ferramentas poderosíssimas à favor da opressão. Muitas vezes isso é visível, outras vezes é sutil.

A menina da foto no lado esquerdo é Lorrayne Isidoro, aluna do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro que foi primeira colocada na IV Olimpíada Brasileira de Neurociências e vai – caso consiga os 15 mil reais necessários – representar o Brasil na olimpíada internacional. Na direita temos uma publicação feita pelo MEC no sábado comemorando o feito. Podemos ver que escolheram utilizar uma ilustração ao invés de uma foto o único porém é: porque mudaram a cara da Lorrayne?

O ilustrador ou designer que fez a imagem não só a desenhou mais magra, também fez sua pele mais clara, o nariz mais estreito e o cabelo mais liso. Basicamente uma outra pessoa, uma pessoa menos negra.

Além disso a equipe de comunicação ainda escolheu pinçar uma única frase do relato para fazer parecer que a menina é uma vencedora da meritocracia. Ignorando o suporte da professora e a estrutura do colégio público federal no qual estuda, ignorando que o “acesso” que faltou à jovem estudante era responsabilidade do próprio MEC.

Esse é o MEC do DEM e do PMDB, o MEC que recebe o Frota, o MEC que recebe a comitiva do programa Escola Sem Partidos.

Segurem-se, daqui pra frente só tende a piorar.

Socializa o Design

Para o MEC, que informou ser uma política do Ministério manter “ações como as olimpíadas de Matemática e de Português, implantadas na gestão passada desde 2004”, a discussão foi questionada. “O MEC repudia qualquer tentativa de criar falsa polêmica nas redes sociais em detrimento dessa bela história de vida.”

Veja a postagem do MEC que gerou as críticas:

 

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