Maternidade Dona Iris cancela consultas agendadas e pode suspender mais serviços

Quem precisa do ambulatório do hospital será encaminhado para outra unidade; leitos reabertos podem ser fechados novamente

Com consultas desmarcadas, recepção da maternidade ficou vazia | Foto: Jornal Opção

Na tarde desta quarta-feira (5/4), quem visitava o Hospital e Maternidade Dona Íris (HMDI) percebia uma unidade vazia. Na recepção, onde as mulheres com consultas e exames marcados deveriam esperar para serem atendidas, não havia ninguém, além de poucos visitantes de pacientes internados e das secretárias.

Isso porque a direção do HMDI suspendeu todo o atendimento ambulatorial da unidade por tempo indeterminado. O motivo da suspensão informada nesta terça-feira (4) foi a falta de recursos para gerir a unidade. Uma decisão do início do mês passado já havia determinado a redução dos atendimentos do hospital, porém quem já tinha exames, cirurgias ou consultas agendados continuaria sendo atendido. Com a decisão desta semana, inclusive os atendimentos que já estavam agendados estão suspensos.

O diretor técnico do HMDI, doutor José Renato Ayres Rezende, listou todos os tipos de atendimento que não serão mais realizados pela unidade: ultrassons eletivas, pré-natal de baixo risco, consultas de ginecologia geral e de climatério e cirurgias ginecológicas e de mama. O laboratório de patologia cervical pode chegar a ser fechado, caso a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) determine um maior corte de gastos.

Outro ponto que terá mudanças será o de atendimento a vítimas de violência sexual. “A paciente vítima de violência que chegar na emergência terá atendimento e receberá os medicamentos e pedidos de exames. Porém o acompanhamento que era feito aqui, inclusive com psicológicos, não será mais realizado. Até ontem nós éramos referência em todo o município”, explicou o diretor do hospital.

Só a parte ambulatorial realizava, segundo o médico, cerca de 3.600 atendimentos, entre consultas e exames. A partir de agora, quem necessitar desse tipo de serviço será encaminhado para outras unidades municipais, através do serviço de regulação da SMS.

Parte da equipe do hospital desde 1978, quando era acadêmico de Medicina, o diretor técnico do HMDI afirmou que o hospital já enfrentou outros períodos de dificuldade, com falta de recursos para alimentação, insumos hospitalares, atraso de salário, mas que a situação nunca foi crítica como a atual. Ele reconheceu a dificuldade financeira da prefeitura e lembrou, ainda, que a Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da UFG (Fundahc), que administra a unidade, não tem lucros, apenas administra os recursos que ficam em um fundo municipal.

Reabertura de ala

Uma das alas do hospital, com 24 leitos de obstetrícia e UTI neonatal, que estava fechada desde dezembro do ano passado foi reaberta recentemente. O Espaço Jasmim reabriu as portas após uma reunião com o Ministério Público (MP), para absorver parte dos atendimentos realizados pelo Hospital Materno Infantil (HMI), que deve ficar fechado por cerca de oito meses, explicou José Roberto.

Diretor técnico do HMDI, José Renato Ayres Rezende | Foto: Amanda Damasceno / Jornal Opção

Só estes 24 leitos correspondem a uma média de 360 partos mensais. Para conseguir absorver os pacientes, o HMDI precisaria de mais médicos, afirmou o diretor ouvido pelo Jornal Opção. Como a Fundahc não tem, por falta de recursos, como contratar médicos novos , os que estavam nos ambulatórios passam, agora, a atender os plantões.

Ele ainda lembrou que, caso a rede privada absorva todos esses pacientes que iriam originalmente para o HMI e seguem para a unidade, os custos seriam maiores, pois a prefeitura teria que pagar aos hospitais particulares. “Aqui a unidade e os funcionários são da prefeitura, então o custo é menor”, disse.

A realocação dos profissionais e a garantia de menores custos, entretanto, não significam que o Espaço Jasmim não corre risco de ser fechado. “Se os repasses como foram combinados com o MP não acontecerem, não tem como a Fundahc manter esses leitos abertos”, ressaltou o médico.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que os pagamentos ao HMDI vêm sendo feitos regularmente e que só no mês de março, foram repassados mais de R$ 5 milhões à Fundahc

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