Material utilizado por falsa biomédica não era hidrogel, diz polícia

Raquel Policena segue detida no 14º Distrito Policial em Goiânia. Número de mulheres que se submeteram à aplicação do material subiu para 30

Foto: Marcelo Gouveia

Delegada Myriam Vidal  Foto: Marcelo Gouveia

A falsa biomédica Raquel Policena Rosa, de 27 anos, apontada como responsável pela morte da auxiliar de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, de 39 anos, não utilizava hidrogel Aqualift nas aplicações para aumento de nádegas em pacientes, como fora divulgado. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Myriam Vidal, o produto usado pela mulher seria silicone industrial – que é ilegal e nocivo à saúde – ou metacril (substância sintética usada por cirurgiões plásticos).

Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (14/11), a titular explicou que as características do produto utilizado não conferem com as do Aqualift. “Este material é vendido no Brasil em uma apresentação de 1 a 100 ml, e a Raquel usava um produto de um litro. Além disso, ela disse em depoimento que teria comprado o material nas ruas de São Paulo, e esse produto não é comercializado em ruas”, explicou.

No início desta semana, a empresa Rejuvene Medical, responsável pela importação do Aqualift, emitiu nota em que classificava como “prematura” qualquer imputação de que o produto pudesse ter causado o falecimento da paciente, uma vez que “não houve apreensão física do produto no local”.

Prisão

Raquel Policena segue detida no 14º Distrito Policial, em Goiânia, ao lado de outras seis detentas. A falsa biomédica foi presa em Catalão, no Sudeste de Goiás, e encaminhada para Goiânia na noite desta quinta-feira (13). Segundo Myriam Vidal, a prisão preventiva teve como base a “defesa da ordem pública”. Conforme relatos de pacientes, a acusada estaria esperando “a poeira abaixar” para voltar a realizar os procedimentos, em referência à repercussão midiática do caso.

A falsa biomédica deve responder por exercício ilegal da medicina, venda de produto não regularizado, lesão e homicídio doloso – aquele em que se assume o risco de matar alguém. A previsão é de que o inquérito sobre o caso seja finalizado em dez dias. Enquanto isso, a polícia ainda espera os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística.

Novas vítimas

A delegada Myriam Vidal confirmou na manhã desta sexta-feira que o número de mulheres que se submeteram à aplicação do material subiu para 30. Além do namorado, o jovem Fábio Justiniano Ribeiro, Raquel Policena também teria sido auxiliada pela carioca Thaís Maia.

A mulher, que se identificava como médica, teria vindo a Goiânia para realizar alguns procedimentos com Raquel. Thaís, que deve ser ouvida pela polícia por carta precatória, executava a aplicação do material há dez anos em Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Segundo a delegada, milhares de mulheres devem ter se submetido ao procedimento.

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