Marta Suplicy oficializa saída do PT

Depois de 33 anos, senadora descobre que o partido não serve para ela; pedido de desfiliação foi apresentado na manhã desta terça-feira

Representantes da senadora Marta Suplicy entregaram na manhã desta terça-feira (28/4) aos diretórios municipal, estadual e nacional do PT em São Paulo o pedido formal de desfiliação dela. Marta estava filiada ao partido desde 1981. O PSB — ela vem mantendo contato também com o PDT e PPS — deve ser o destino da senadora, que pretende disputar a Prefeitura de São Paulo no ano que vem.

Antes de se eleger para o Senado, Marta foi deputada federal e prefeita de São Paulo. No segundo mandato do ex-presidente Lula da Silva, ela foi ministra do Turismo. Marta ficou na pasta até junho de 2008 e se afastou para concorrer à Prefeitura de São Paulo, retornando ao ministério na gestão Dilma Rousseff, de onde saiu “atirando”.

Na carta na qual pediu demissão do governo, ela fez críticas indiretas à condução da política econômica no primeiro mandato de Dilma. A relação de Marta com a presidente começou a azedar quando a senadora tentou articular nos bastidores a candidatura de Lula ao Palácio do Planalto. A situação se desgastou de vez quando Dilma nomeou Juca Ferreira, desafeto de Marta, para o comando do Ministério da Cultura.

Já no vídeo, publicado em sua página do Facebook, Marta justifica sua saída culpando o partido por ter perdido sua identidade na defesa “dos mais pobres”. “O PT se desviou do caminho, se contaminou com o poder. Eu nunca me desviei dos meus valores”, alegou ela. Veja o vídeo abaixo:

De lá para cá, as críticas de Marta Suplicy se tornaram constantes. Na revista “Veja” desta semana, ela explicita várias contrariedades e diz que o PT “traiu” o povo brasileiro.
O estranho nessa história é que Marta só tenha descoberto a “traição” petista ao povo 13 depois que o partido ganhou o poder e, desde então, o País tenha submergido na pior onda de corrupção da história.

Quando o mensalão veio a público, com a condenação à prisão de alguns petistas ilustres e amigos de Marta, como José Dirceu, a senadora não viu nenhum problema.

Mesmo atualmente, quando a investigação do petrolão desenrola uma teia de corrupção sob comando do PT e partidos aliados, Marta Suplicy também não manifestou maiores pruridos. Mas eis que ela “acorda”. Justamente quando viu que não teria a legenda petista para disputar a Prefeitura de São Paulo.

 

 

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