Manual de fim de ano da 44: o que aguarda o consumidor que decidir enfrentar região

Apesar do calor, lotação e trânsito, local ainda é o ponto de escolha de milhares de pessoas, principalmente nesta época do ano

Paciência, roupas confortáveis, muito protetor solar, disposição de sobra e um pouco de dinheiro. A princípio, isso é tudo que você precisará para enfrentar um dia de compras de final de ano na Região da Rua 44, em Goiânia, um dos principais polos comerciais de Goiás e do Brasil. A reportagem do Jornal Opção passou a tarde dessa quinta-feira, 20, no local. Confira o que esperar, caso decida enfrentar a multidão do local.

Para começar, nem o sol escaldante com temperatura de 33°C afasta as pessoas que lotam as lojas da região. Mas, apesar do grande fluxo, alguns comerciantes garantem que o movimento está bem abaixo do ano passado.

“Hoje mesmo as vendas estão baixas. O pessoal do atacado veio antes e já devem estar revendendo as peças compradas aqui. Nesse período mais próximo do Natal, vem mais é varejista, que acaba comprando menos, né?”, disse a vendedora Sônia Ferreira.

Achar uma vaga de estacionamento na rua é praticamente impossível, mesmo em uma quinta-feira | Foto: Ludmilla Morais

A saga das compras na 44, porém, começa logo no inicio. Achar uma vaga de estacionamento na rua é praticamente impossível. Tudo está lotado. A saída é pagar para estacionar ou optar por ir de táxi ou algum aplicativo de transporte.

O dono de um estacionamento localizado na Rua 301 com a Avenida Contorno, Juarez da Silva, também disse que o movimento tá bom, mas abaixo do esperado. “Guardo aqui por dia, uns 80 carros”, disse ele ao garantir que ano passado teve mais lucro nesse mesmo período.

Há quem acredita que o baixo movimento seja por causa da troca de governo, como a proprietária de uma loja de roupas íntimas, Vanessa Ranieri. “O povo tá sem dinheiro né para gastar, quem vinha aqui e levava 100 peças, hoje tá levando só 30”, lamenta a comerciante.

Mas a opinião de que o fluxo diminuiu na 44 não é unanimidade entre os vendedores. A Patrícia Correa, que tem uma loja de bijuterias contou que estava muita cansada. “Da minha loja eu não posso reclamar, as vendas estão ótimas, apesar de que vem muita gente que não compra nada e só enche o saco”, disse sorrindo.

Quem também concorda com a Patrícia, é a Áquila Priscila, que trabalha numa loja de roupas. “Movimento tem. mas, muvuca não quer dizer que estejamos vendendo né. Nesses último dias, têm muitos varejistas, a gente reclama porque eles não compram tanto como no atacado, mas no fim do dia são eles que salvam”, afirma a vendedora.

Para Áquila, neste ano, as pessoas preferiram ir fazer compras em São Paulo, onde segundo ela, é mais barato. “Se quiser preço bom, é São Paulo, agora se quiser roupa de qualidade e mais diversificada, tem que vir pra Goiânia”, explica a jovem.

Alguns lojistas dizem que o movimento deste ano é menor, porém opinião não é unânime | Foto: Ludmilla Morais

Na região mais badalada de Goiânia, quando o assunto é compras de roupas, todo mundo fatura. Mesmo quem não é do ramo da confecção, afinal, com tanta gente andando pra lá e pra cá, os vendedores de água, refrigerante, água de coco, pamonha, salgados, frutas, e demais itens, também faturam.

Até o mesmo o seu Carlos Andrade, que vende caldos, está conseguindo ganhar um dinheirinho, apesar do calor torrencial que atinge a capital nos últimos dias. “Sempre aparece um corajoso querendo um caldinho de feijão, de milho verde ou de vaca atolada. Cada um é cada um, né?”, disse, muito simpático, ao me entregar um caldo de vaca atolado com milho verde.

E quem também está faturando bastante é o angolano Lueji Lumba que vende água, refrigerante e energético. “Faço vendas a todo instante, ainda mais com esse calor. Às vezes penso até que estou na minha terra”, falou brincando.

Fiscalização

A cada esquina é possível ver policiais militares ou Guardas Civis Metropolitanos. Eles garantem que ambulantes, que atuam de forma irregulares, não armem suas barracas no meio da rua. Mas, ao passar por três jovens, escuto: “Ainda não montei minha barraca, tô esperando o rapa ir embora”.

Umas das ambulantes disse que a partir das 17h quando a fiscalização deixa o local, os colegas começam a vender. “Aí vai até umas 22h ou até tiver movimento, o que a gente não faz é montar a barraca com eles aqui, porque ai dá ruim mesmo”, falou a jovem sem se identificar.

Expectativa

Apesar da descrença de alguns comerciantes, a expectativa de movimentação na 44 para esse fim de ano ainda é boa. De acordo com a da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), mais de um milhão de compradores devem passar pela 44 só nos finais de semana. Só entre a última sexta-feira e este próximo domingo a expectativa é de que 350 mil pessoas passem pela região. No fim de semana, conforme explica o presidente da AERR44, Jairo Gomes, que antecede o natal o número esperado é superior a 500 mil pessoas.

“Nesta semana o movimento do varejo já aumentou bastante logo após o pagamento da primeira parcela do 13º salário, no último dia 30. Mas esperamos que essa movimentação aumente na semana que antecede o Natal, com aquelas típicas compras de última hora e com o pagamento da segunda parcela do 13º, que deve sair até o dia 20”, diz o presidente da AER44, que espera passar pela região, só entre os dias 21 e 24 de dezembro, mais de 500 mil compradores. Ele lembra que a movimentação nos outros dias da semana também tem sido muito positiva.

“Uma média superior a 150 mil pessoas frequentam a região nesses outros dias da semana (de segunda a quinta). Vindas das cidades da grande Goiânia e de várias outras do interior do Estado. Em geral, são famílias que aproveitam o pagamento do 13º para fazer compras de roupas para a família toda e para o ano todo. Já são clientes que compram na modalidade do ‘atacarejo’, levando um número maior de peças, mas para uso pessoal”, explica Gomes.

Horário

Desde novembro a 44 está com horário de funcionamento diferenciado para receber esses compradores no varejo ou atacarejo. No mês passado o polo de confecção e moda, considerado o segundo maior do Brasil, começou a funcionar às segundas, das 8h às 17h, dia que normalmente as lojas não abrem. Nas terças, quartas e quintas, o funcionamento é de 8h às 18h; e às sextas e sábado, das 7h às 19h. E desde o último dia 2 de dezembro, as lojas da região também estão funcionando aos domingos, das 7h às 13h. “A região estará ativa também na véspera do Natal, neste mesmo horário das 7h às 13h”, completa o presidente da AER44.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.