Mané de Oliveira morreu sem ver o julgamento dos acusados de assassinar seu filho Valério Luiz

Valério Luiz foi assassinado há quase uma década, mas o julgamento dos acusados, estranhamente, ainda não foi feito

Mané de Oliveira no enterro de Valério Luiz, em 2008 | Foto: Patrícia Neves

O cronista esportivo Manuel de Oliveira era uma força da natureza. Um forte, como o sertanejo de que falou Euclides da Cunha. Um daqueles homens que puxam os outros para a frente da batalha, mas não fogem à luta e os lideram. Era assim na crônica esportiva. Alguns podiam não amá-lo, dado seu grau de exigência, mas era uma profissional que fazia bem o que se propunha a fazer. Não tinha papa na língua. Dizia tudo o que pensava, sem receio de desagradar.

Valério Luiz: assassinado em 2008 | Foto: Reprodução

Sabia tudo de futebol e era um guerreiro da palavra. Como comentarista, atuava praticamente como uma espécie de segundo técnico. Exagerava? Por vezes, sim. Mas não tinha medo de dizer a verdade, doesse a quem doesse. Ele montava equipe ótimas, e alguns de seus integrantes muitas vezes pensavam diferentemente dele. As discussões eram acaloradas, mas havia liberdade para se dizer o que se pensava.

Numa campanha para deputado estadual, Mané de Oliveira, como era conhecido, saiu às ruas, em cima de um carro, pedindo votos. Falava do assassinato de seu filho, Valério Luiz (pai do advogado Valério Luiz Filho), e explicava o que pretendia fazer como parlamentar. Foi eleito com a maior votação do pleito.

Mané de Oliveira e seu neto, Valério Luiz Filho | Foto: Reprodução

Na segunda metade da década de 1980, Mané de Oliveira, como deputado estadual, tinha um sonho: emancipar Campinas. Entrevistei-o várias vezes sobre o assunto. Solidário, quando Iris Rezende, então governador de Goiás, e Batista Custódio, editor e dono do jornal “Diário da Manhã”, brigaram, na primeira metade da década de 1980, ficou ao lado do jornalista, abrigando-o numa chácara no Parque Amazonas. Ele era assim: solidário. Um “monstro da solidariedade”, diz um amigo.

Nos últimos anos, com câncer, seu sonho havia mudado: queria assistir o julgamento e a condenação dos assassinos de seu filho Valério Luiz, um radialista destemido.

Embora Valério Luiz tenha sido morto há mais de oito anos, quase uma década, os acusados do assassinato e o mandante não foram julgados até hoje. As desculpas da Justiça seriam consideradas estranhas em qualquer outro país, como Inglaterra, Alemanha, França e Estados Unidos. No Brasil, tudo indica, parece que são “normais”.

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