Major Araújo: “Queria ser um vice ativo e participativo, mas vi que não teria espaço”

Deputado lamentou boicote que sofreu do PMDB, mas disse que não gostaria de causar problemas à administração de Iris Rezende

Deputado afirmou que gostaria de ter participado das reuniões enquanto vice | Foto: Marcos Kennedy

Deputado afirmou que gostaria de ter participado das reuniões com vereadores enquanto vice | Foto: Marcos Kennedy

O deputado estadual Major Araújo (PRP) confirmou, nesta segunda-feira (5/12), sua renúncia ao cargo de vice-prefeito de Goiânia. Eleito no último 30 de outubro na chapa de Iris Rezende (PMDB), ele afirmou que já havia tomado a decisão há algum tempo, mas só hoje conseguiu informar o prefeito eleito.

A reunião demorou, disse, por conta da agenda de Iris, que tinha “outros compromissos”, como conversas com vereadores eleitos. Na verdade, o militar e o decano só se encontraram duas vezes desde o resultado das eleições: no dia 7 de novembro, durante uma homenagem que o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese) fez ao prefeito eleito e agora, na manhã desta segunda-feira (5).

O ex-governador nem mesmo chegou a procurá-lo diretamente para tentar dissuadi-lo da ideia de renunciar. “Ele mandou alguns interlocutores, mas a essa altura já estava decidido em continuar deputado”, explicou.

Sobre os outros compromissos, ele disse ainda que entendia que eram reuniões importantes, mas ao mesmo tempo queria ter podido participar, por exemplo, das conversas com vereadores eleitos, já que entendia que podia auxiliar enquanto vice, mas que não teria espaço pra isso. “O vice tem que participar, ele pode detectar um problema e resolver e eu vi que não teria essa abertura”, disse.

Presidência da Câmara

Ao ser questionado se não era injusto com o eleitorado sua renúncia, já que agora Goiânia não tem um vice definido, Major Araújo defendeu que ter tomado sua decisão agora foi positivo. Com a renúncia, quem assume em uma eventual ausência do prefeito é o presidente da Câmara, que ainda não foi escolhido.

“Iris consegue articular para ter, além da maioria, a presidência da Câmara. Sendo assim, ele pode ter um vice de sua confiança. Ao eleger um presidente, Iris já escolherá alguém que possa ajudá-lo na administração caso seja necessário”, afirmou o parlamentar.

De qualquer forma, acredita o deputado, Iris deve terminar o mandato. “Acho muito remota a possibilidade de ele desistir, sofrer um impeachment e a saúde dele é ótima. Ele continua até o final”, disse.

Boicote

Uma das justificativas de Major Araújo para a desistência foi uma certa resistência que sofria de setores do PMDB. O parlamentar afirmou que percebeu, ainda durante a campanha, que sofria boicote de algumas pessoas do PMDB. Sem citar nomes, afirmou que entre as pessoas que estavam insatisfeitas com sua presença na chapa havia ex-secretários e deputados.

“Eu estava sendo escondido durante a campanha. Fizeram uma agenda própria pra mim que, a princípio, achei que era pela agenda curta de campanha, mas fui entendendo que não se tratava disso. Foi boicote e tentativa de me esconder”, afirmou.

Ele lamentou, ainda, o fato de ter que renunciar. “Gostaria de ser vice, mas queria um ambiente harmonioso para isso e infelizmente não teria. Pelo bem de Goiânia, da administração de Iris e meu próprio bem, decidi desistir”, disse, afirmando que pode até concorrer como cabeça de chapa em um futuro, mas “nunca mais” disputará eleições como vice.

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