Mais uma epidemia pode atingir Goiás. Conheça a febre Mayaro

Estado registrou 66 pessoas com a doença em 2016. Por ser semelhante a outras enfermidades, pastas acreditam que há mais casos do que os que já foram notificados

Doença também é transmitida pela picada de um mosquito, o Haem | Foto: Arquivo Wikipédia

Doença também é transmitida pela picada de um mosquito, o Haemagogus | Foto: Arquivo Wikipédia

Em meio a uma epidemia de dengue em Goiás e da preocupação com o avanço dos casos de Zika em todo o País, mais uma doença pode entrar na pauta da saúde no Estado. 66 pessoas já foram identificadas com a febre Mayaro em dez cidades diferentes. Alguns dos casos, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), inclusive, foram de pessoas que contraíram a enfermidade em território goiano.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 17 pessoas já foram diagnosticadas com a doença em Goiânia. O gerente de Doenças e Agravos Transmissíveis da SMS, Leandro Nascimento, ressalta que, no entanto, nenhuma delas é um caso autóctone, ou seja, de paciente que contraiu a Mayaro no município em que reside. Todos foram infectados pelo vírus fora da cidade.

Além dos casos notificados na capital, foram encontrados dois casos em Aparecida de Goiânia, sete em Bela Vista, três em Caldazinha, cinco em Hidrolândia, seis em Horizona, quatro em Piracanjuba, doze em Professor Jamil, onze em Rio Quente, e um em Senador Canedo. Até a divulgação dos últimos dados recebidos pela SES, Goiânia havia notificado 15 casos, mas o número já é maior. Os municípios em que mais foram encontrados casos autóctones foram, segundo a SES, os de Hidrolândia, Rio Quente, Pirancanjuba e Bela Vista.

Com sintomas parecidos com os da dengue e da chikungunya, a febre Mayaro é, segundo o Instituto Oswaldo Cruz, “caracterizada por febre branda ou moderada, de início abrupto e curta duração, acompanhada principalmente de calafrios e dores musculares, nas articulações e de cabeça”.

Na verdade, de acordo com Leandro, foi a partir de uma suspeita de chikungunya que o primeiro paciente com Mayaro em Goiânia foi identificado. “O primeiro caso notificado foi diagnosticado com chikungunya, mas o exame deu negativo. Então o laboratório resolveu fazer, por conta própria, o exame de Mayaro e deu positivo”, relatou. O laboratório em questão é o do Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, que faz a análise dos casos.

Por causa dos sintomas parecidos, todas as suspeitas de chikungunya estão sendo encaminhados ao IEC. Em Goiânia, os pacientes com Mayaro estão sendo tratados no Hospital das Clínicas, onde há médico infectologista especificamente para cuidar destes casos.

Subnotificação

A biomédica da Coordenação de Zoonose da SES, Liliane Siriano, conta que, justamente pela similaridade entre as doenças, provavelmente existe uma subnotificação da Mayaro. “A gente acredita que a situação está mascarada, porque os exames levam tempo e porque demorou para que os casos fossem descobertos”, afirmou ela.

“Pelo histórico dos pacientes, começamos a verificar que os pacientes já tinham sintomas há muitos dias, mas tinham passado da época que chamamos de coleta oportuna para a identificação, que tem um prazo de 90 dias”, justificou. Leandro reforça a suspeita de subnotificação: “É uma doença de regiões de mata, às vezes a pessoa vive isolada, apresenta os sintomas, mas convive com eles até que desapareçam”.

O mais preocupante é, que, segundo os dois entrevistados, existe sim o risco de uma epidemia em Goiás. Inclusive, segundo Liliane, o Estado já registrou uma em 1986. Em 2014, apenas uma pessoa com Mayaro foi identificada e, em todo o ano de 2015, foram notificados menos doentes que nestes primeiros meses de 2016: 64, no total.

Como já foi identificado mais de um caso na mesma área geográfica, conta Liliane, Goiás já tem, tecnicamente, um surto da febre Mayaro. No entanto, de acordo com Leandro, ainda não há motivos de muita preocupação em Goiânia. Na cidade, segundo ele, análises feitas em bosques e regiões em que há bastante árvores, habitat do mosquito transmissor, indicaram que os insetos na cidade ainda não estão transmitindo a enfermidade.

Fora de Goiás, a doença é conhecida principalmente nos Estados do Norte do País, como o Pará e o Amazonas. Na região amazônica, inclusive, a enfermidade é endêmica. Bastante comum em regiões que têm matas, a Mayaro é transmitida pelo mosquito Haemagogus, que pode ser infectado ao picar humanos ou animais. “Os amplificadores, que podem apresentar o vírus,  são os macacos, principalmente os micos, mas já foram encontrados casos em cavalos, répteis e aves”, explica Liliane.

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