Mais de 50 bares e restaurantes de Goiânia fazem paralisação em aplicativos de delivery

Empresários reivindicam a liberação do drive-thru e do take-away nos estabelecimentos

Bar em Goiânia. | Foto: Portal Viajali/reprodução

Após reunião de empresários com representantes do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares de Goiânia (Sindibares) e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), foi decidida a paralisação de estabelecimentos a partir desta terça-feira, 9, até a próxima quarta-feira, 10, nos aplicativos de delivery. Mais de 50 bares e restaurantes aderiram o movimento.

Durante esses dois dias, os estabelecimentos irão permanecer completamente fechados como forma de protesto à proibição dos chamados “drive-thru, take-away ou take-out”, formas de entrega que permitem o cliente a buscar sua refeição, com o último decreto restritivo.

Segundo o presidente da Abrasel em Goiás, Fernando Machado, mesmo que os aplicativos de delivery atuem como ponte entre clientes e restaurantes e aumente a demanda aos estabelecimentos, as taxas cobradas pelas plataformas são altas, podendo chegar a 30% do valor de cada pedido. “Muitos restaurantes pequenos são cadastrados em aplicativos e funcionam somente com a entrega própria ou com o cliente retirando o pedido no local”, completa Fernando.

De acordo com levantamento feito pela Abrasel, a queda no faturamento com a proibição é estimada para 80%. Além de requerer a liberação da Prefeitura para que o cliente possa buscar seu pedido nos estabelecimentos, o presidente do Sindibares Goiânia, Newton Pereira, requer autorização para reabertura de bares e restaurantes durante o período do almoço.

O chef Ian Baiocchi, proprietário de cinco restaurantes em Goiânia, e que nesses dois dias estará com suas atividades paralisadas em protesto, se mantém indignado com a situação. “Não temos nenhum auxílio do governo e nenhum respaldo para mais essa crise. O take Away e retirada é uma das poucas formas de um respiro para empresas. O que a gente tenta nesse período é pelo menos manter os empregos, gerando renda para suas famílias. Se a gente tirar isso deles, principalmente sem nenhum auxílio do governo, como eles vão sobreviver?”, questiona o chef.

Ao se reunirem com o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) na última segunda-feira, 8, o presidente da Abrasel alega não ter tido nenhum tipo de resposta a este impasse. “Ele sinalizou que não pode fazer nada neste momento, por se tratar de uma situação crítica, mas que irá consultar o Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE)”, explica o presidente.

Demissão em massa

O presidente da Abrasel em Goiás ainda estima a demissão de 15 mil funcionários caso o decreto seja estendido na próxima semana. “Desde que começaram as restrições, empresários me ligam todos os dias e eu passo de duas a quatro horas no telefone. E eles falam, que se até dia 15 a situação não se resolver, vão ter que começar a demitir funcionários”, conta.

Fernando ainda diz que, apesar de a Abrasel e o Sindibares não apoiar a decisão dos comerciantes, muitos disseram que caso não tenham nenhum posicionamento da Prefeitura, irão reabrir seus estabelecimentos, agindo contra o decreto.

Medidas restritivas

Desde a última segunda-feira, 01, Goiânia e vários outros municípios do estado estão com restrição de circulação e de funcionamento do serviço considerado não essencial. O primeiro decreto começou a valer no dia 1º de março, mas foi estendido por mais sete dias a partir desta segunda-feira, 08.

O objetivo do decreto é reduzir as aglomerações, consequentemente, o contágio e a transmissão do novo coronavírus no estado. Até o momento, mais de 116.320 foram contaminadas pela Covid-19 na cidade e as Unidades de Terapia Intensiva voltadas ao tratamento da doença se encontram lotadas, com 97% de ocupação, e apenas 13 leitos disponíveis em todo o estado.

Resposta da Secretaria de Saúde

Questionada pelo Jornal Opção, a Secretaria de Saúde de Goiânia (SES-GO) se pronunciou quanto a inclusão dos drive-tru, take-away e take-out nas proibições impostas pelo decreto:

“A SES-GO esclarece que estava havendo aglomeração na porta dos estabelecimentos, por isso, a restrição e a opção pela modalidade delivery onde a pessoa recebe o pedido em casa”.

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