No Brasil, milhares de crianças e adolescentes vivem com o futuro em suspenso. Segundo dados atuais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 5.500 jovens estão oficialmente disponíveis para adoção, prontos para formar uma nova família.

No entanto, esse número expressivo convive com um paradoxo dramático: apesar de existirem dezenas de milhares de pretendentes habilitados para adotar, a maioria busca perfis de crianças muito diferentes dos perfis disponíveis.

A maioria dos menores aptos à adoção não se enquadra no perfil “idealizado” por muitos candidatos. Entre os adolescentes e crianças à espera, há muitos jovens com idade acima de 14 anos, faixa etária que historicamente encontra menor demanda.

Em 2025, dos 5.506 menores disponíveis, 1.839 têm mais de 14. Muitos possuem características consideradas “complexas” para adoção: grupos de irmãos, necessidades especiais, histórico familiar ou social, e até mesmo adolescentes.

Do lado das pessoas habilitadas a adotar, existe uma clara preferência por crianças pequenas, especialmente bebês ou crianças de até poucos anos. Segundo o sistema do CNJ, a maioria dos pretendentes busca crianças com até 8 anos de idade.

Consequentemente, perfis como adolescentes, irmãos, ou menores com deficiências são vistos como “perfis difíceis de colocar” e acabam ficando por mais tempo no sistema de espera.

Burocracia e lentidão do judiciário

Embora existam leis e sistemas pensados para agilizar adoções, como o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e suas ferramentas de “busca ativa”, a realidade ainda esbarra em morosidade judicial e estrutura deficiente nas varas da infância e juventude.

Nos últimos anos, o CNJ vem investindo em modernização e transparência. A adoção do SNA unificou cadastros e permitiu cruzamento nacional de perfis, o que amplia as chances de encontrar compatibilidade, mesmo entre estados distantes.

Além disso, a ferramenta de “busca ativa” prioriza crianças e adolescentes de difícil colocação, aqueles com necessidades especiais, irmãos ou mais velhos, visibilizando-os e facilitando que pretendentes dispostos a acolher esses perfis os encontrem com mais facilidade. Desde 2019, o sistema já viabilizou a adoção de mais de 21 mil crianças em todo o país.

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