“Maioria da bancada federal é a favor da saída do PSDB do governo”, diz deputado tucano

Cúpula do partido adiou reunião que aconteceria neste domingo (21/5) para deliberar posicionamento oficial após divulgação da delação da JBS

Célio Silveira diz que saída do PSDB da base aliada tem apoio da maioria dos deputados | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Cresce no PSDB a tendência de que o partido deixe a base aliada do governo Temer. Segundo o deputado Célio Silveira (PSDB-GO), a maioria da bancada na Câmara já defende que o tucanato se afaste do governo.

“Já vimos o desenrolar dos fatos, o presidente já se manifestou, agora acho que a melhor saída é se afastar do governo. Esse também é o posicionamento da maioria da bancada federal do partido”, disse em entrevista ao Jornal Opção neste domingo (21/5).

A cúpula do PSDB tinha reunião marcada em Brasília para o fim da tarde deste domingo (21), mas a mesma foi adiada e ainda não há previsão de quando o partido pode dar um posicionamento oficial.

Com quatro ministros e a terceira maior bancada no Congresso, com 11 senadores e 47 deputados, o PSDB é hoje o principal aliado do governo.  Ocupam cargos no primeiro escalão os tucanos Antonio Imbassahy (Governo), Bruno Araújo (Cidades), Luislinda Valois (Direitos Humanos) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores).

Especula-se que, se o PSDB debandar, outros partidos como o Democratas e o PPS podem seguir o mesmo caminho. No último sábado (20), o PSB definiu saída da base e pediu a renúncia de Michel Temer.

A crise na base aliada estourou após a divulgação do conteúdo da delação premiada firmada entre empresários da JBS que implicam diretamente o presidente. Em pronunciamentos na quinta-feira (18) e no sábado, Michel Temer afirmou que não renunciará e chamou a gravação de conversa entre ele e Joesley Batista de “clandestina.

Delação

Segundo informação publicada pelo colunista de “O Globo” Lauro Jardim, o empresário e presidente da J&F (holding que controla a JBS), Joesley Batista, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o conteúdo de uma gravação na qual o presidente Michel Temer (PMDB) dá o aval para a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O encontro teria acontecido no dia 7 de março, no Palácio do Jaburu, em que Joesley Batista aparece contando a Temer que estava dando a Cunha e ao operador Lúcio Funaro — ambos presos no âmbito da Operação Lava Jato — uma mesada de R$ 500 mil para que não assinassem qualquer tipo de colaboração ou delação. Diante da informação, o presidente teria respondido: “Tem que manter isso, viu?”.

O  ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Lava Jato, autorizou abertura de inquérito contra o presidente. Na Câmara, pelo menos três pedidos de impeachment foram protocolados.

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