Maduro volta a falar em “golpe” e diz que impeachment é ameaça à América Latina

Presidente da Venezuela conclamou povo para defender o legado de Simón Bolívar e atacou processo contra Dilma Rousseff 

Dilma e Maduro em evento no Brasil | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma e Maduro em evento no Brasil | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, reiterou na última terça-feira (19/4) apoio à presidente brasileira, Dilma Rousseff (PT), diante do que considera ser “um golpe de Estado parlamentar que ameaça toda a América Latina”.

Ele falou para centenas de simpatizantes que saíram às ruas numa marcha para comemorar o 206º aniversário da assinatura da Ata de Declaração da Independência da Venezuela, assinada em 19 de abril de 1810. “Fomos testemunhas de um evento que, sem lugar para dúvidas, constitui um golpe de Estado parlamentar contra a legítima presidente do Brasil, Dilma Rousseff”, discursou.

Maduro afirmou que o impeachment “faz parte de uma ofensiva imperialista para acabar com os governos populares e para implementar outra vez um modelo neoliberal repressivo”. “Estão brincando com a vontade do povo”, atacou. “A Venezuela bolivariana solidariza-se com a presidente Dilma, com o povo do Brasil e condena o golpe de Estado”, acrescentou.

Ao final, o presidente conclamou os venezuelanos para estarem “em alerta” e defenderem a causa independentista e reivindicarem o projeto de integração latino-americana de Simón Bolívar (1783 – 1830) — militar e líder político que teve participou da independência da Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela. “Não podemos falhar a causa de Bolívar, a causa da América”, afirmou.

No último domingo, a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou, por 367 votos contra 137, sete abstenções e duas ausências a continuação do processo de destituição da presidente Dilma Rousseff, que passou para o Senado.

O texto aprovado na Câmara dos Deputados alega que há indícios de que a presidente cometeu um crime de responsabilidade ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais” (atraso na transferência de dinheiro devido pelo Governo aos bancos para melhorar as contas públicas). Outra acusação que pesa contra Dilma Rousseff destaca que ela autorizou despesas extras sem a aprovação do Congresso, ação que viola a Lei de Orçamento.

Se for condenada, será afastada da Presidência e perderá o direito de exercer cargos públicos por oito anos.

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