Luz, câmera, ação: como os artistas enfrentam as dificuldades impostas pela pandemia

Liz Eliodoraz e Charles Rosa têm em comum a paixão pelo teatro e o privilégio de terem vivido mais de 20 anos de suas profissões. A pandemia impôs desafios, que, para serem superados, exigiu criatividade

Liz Eliodoraz se tornou superintendente da Cultura em Jaraguá e auxilia outros artistas. | Foto: arquivo pessoal

O currículo e a experiência serviram para ir além da arte. Liz Eliodoraz é artista há mais de 25 anos. Se considera privilegiada por conseguir viver da profissão, o que em seu meio é bastante incomum. Com a pandemia, precisou buscar novos rumos. Voltou para casa dos pais, em Jaraguá, cidade que fica a aproximadamente 140 quilômetros de Goiânia. O sucesso, dessa vez, veio em forma altruísta.

Liz é superintende de cultura em Jaraguá. Assumiu o posto em 2021. Diante das necessidades dos artistas na pandemia, a atriz lutou para destinar recursos a esses profissionais que, muitas vezes, não se veem como tal. “Artesãos, por exemplo, não se consideram artistas. Não sabiam que podiam se inscrever para receber o auxílio da Lei Aldir Blanc. Minha militância foi em torno disso, levar esse recurso para essas pessoas”, contou a atriz.

Segundo a superintendente, várias cidades de interior receberam recursos para beneficiar artista, mas, sem saber como desenvolver o processo, acabaram por devolver o dinheiro ao governo. “(Em Jaraguá), conseguimos contemplar mais de 100 artistas. A maioria tem um emprego fixo e é artista por hobbie”, apontou Liz.

A companhia de teatro em Goiânia teve de esperar por conta da pandemia. A parte mais difícil para os artistas foi a escassez de oportunidades de trabalho. “Cessaram os editais. Em 2020, foi mais difícil. Outros artistas, como circenses e de rua, sofreram muito. Não têm a função organizada, então a maioria não entrou no plano do auxílio emergencial do governo federal”, lamentou a atriz.

Se de um lado Liz usou da pandemia para fortalecer a classe, Charles Rosa Rodrigues aproveitou para organizar a casa, interior e exterior. Ator há 23 anos, o também diretor e terapeuta teve de parar um projeto que idealizou, o curso Expressão Cênica do Ser. A pandemia paralisou os encontros presenciais do grupo. Como interação humana é a base do Ser, a forma remota não deu certo.

Charles passou a viver das economias que tinha feito. “Aproveitei este tempo para descansar e reestruturar o curso e meu SerViço como um todo”, explicou o ator, ao brincar com as palavras.

A criatividade é nata em Charles. Com a pandemia, tudo passou a ser visto por outros ângulos, inclusive as palavras: “transFormei, aprofundei mais ainda a minha InFormaAção”, disse ao contar que buscou por cursos de “Desenvolvimento Pessoal para Ser a sua melhor VerSão”.

Apesar da dor que a onda do vírus trouxe, Charles enxerga oportunidades. “Essa pandemia foi e está sendo de muita dor para mim e todas(os) nós, né? Mas, apesar dos fortes desafios que estamos passando (com perdas de entes queridos, etc.), todo momento de crise é um momento de grandes possibilidades. E esse é um momento muito auspicioso em que temos a chance de darmos um salto, chegou a possibilidade de vivermos enfim a nossa HumanaIdade”, disse Charles.

O ator buscou ser mais minimalista. O menos é mais. Charles é “FÉliz”. E pede que as pessoas escutem seus “CorAções” para fazer o bem ao planeta.

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