Luta por auxílio-saúde revela egocentrismo de carreiras jurídicas

Enquanto mais de seis milhões de brasileiros tiveram o auxílio emergencial negado, juízes, desembargadores e promotores de Goiás querem benefício que chega a R$ 1280,00 por mês

Vivemos um período histórico no Brasil e no mundo. Isso não é nenhuma novidade. A pandemia do novo coronavírus causou, para além da crise na saúde pública, também uma crise financeira e política.

Mas, apesar de estarmos vivendo uma realidade completamente diferente do que já foi vista na história, algumas coisas parecem que nunca vão mudar. Pelo contrário, a pandemia deixa mais escancarado o egocentrismo de alguns. O “olhar para o próprio umbigo” e a tentativa de garantir privilégios deixa à mostra uma sociedade injusta e desigual.

Na última quarta-feira, 13, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) estabeleceu o pagamento de R$1.280 mensais para juízes e desembargadores. Além disso, servidores e pensionistas deverão receber valores entre R$ 420 e R$ 720. A decisão deve gerar impacto de R$ 6 milhões mensais.

É claro que juízes e desembargadores, como profissionais competentes e dedicados que são, têm direito ao benefício. Todos os profissionais deveriam ter. Mas seria esse o melhor momento para se implantar tal privilégio?

O impacto desse aumento na folha do TJ seria o suficiente para garantir R$ 600 por mês para 10 mil famílias goianas. Muitas em situação de extrema necessidade.

Mas não para por aí. Agora, os promotores do Ministério Público de Goiás também querem direito ao mesmo benefício. Um impacto de quase R$ 700 mil mensais. O valor seria suficiente para doar pelo menos duas mil cestas básicas todo mês.

Mas não é só para a população carente que o pagamento desse auxílio-saúde chega como um “tapa na cara”. O próprio governador Ronaldo Caiado (DEM) que tenta, a duras penas, manter a folha de pagamento dos servidores em dia, deve ter recebido a novidade como uma apunhalada.

De que adianta a busca incessante por apoio, pelo equilíbrio entre salvar vidas e manter empregos, se quem pode, de fato, ajudar o Estado não o faz?

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