Lula diz que EUA podem se associar ao Brasil na exploração de terras raras “se Trump deixar de brigar com Xi Jinping”
18 maio 2026 às 16h17

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira, 18, que o Brasil precisa acelerar o mapeamento e a exploração de terras raras e minerais críticos no país. Durante evento em Campinas, no interior de São Paulo, Lula afirmou que os Estados Unidos poderiam se associar ao Brasil no setor caso o presidente Donald Trump “deixe de brigar” com o líder chinês Xi Jinping.
As declarações ocorreram durante cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, considerado uma das principais estruturas científicas da América Latina. “Estamos na era das terras raras, dos minerais críticos e não sei das quantas e o Brasil só tem 30% de conhecimento do que tem nesse seu território imenso”, afirmou Lula.
O presidente defendeu investimentos em tecnologia e pesquisa para acelerar o levantamento mineral do território brasileiro e citou o papel da ciência nacional nesse processo. “A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência de vocês pra gente dar um salto e ver se, em um curto espaço de tempo, a gente faça com que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, continuou.
Lula também reforçou que o Brasil pretende manter controle sobre os recursos minerais estratégicos do país. “Não temos veto, preferência por ninguém. Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”, disse.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, minerais utilizados na fabricação de baterias, turbinas, smartphones, equipamentos eletrônicos e sistemas militares. Apesar disso, a China ainda concentra cerca de 90% do processamento global desses materiais.
O governo brasileiro tem defendido um modelo de exploração que inclua processamento e industrialização dentro do país, buscando agregar valor à cadeia produtiva e ampliar o desenvolvimento tecnológico nacional.
Durante o evento, Lula também comentou sobre formação profissional e criticou a lógica de mercado na escolha de cursos universitários.
“Muita gente que estuda medicina não é pra trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), mas pra abrir uma clínica e ganhar muito dinheiro”, afirmou o presidente ao defender maior planejamento estatal na formação de profissionais em áreas consideradas estratégicas.
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