Lúcio Flávio é incoerente ao condenar nomeação de Sérgio Cardoso ao TCM

Advogados e até mesmo conselheiros têm considerado, no mínimo, contraditório o posicionamento do presidente da seccional goiana

Presidente durante coletiva de imprensa na sede da OAB-GO | Foto: Alexandre Parrode

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Goiás (OAB-GO), Lúcio Flávio, tem ignorado o teto de vidro sobre a cabeça ao condenar publicamente a indicação de Sérgio Cardoso para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), utilizando-se do argumento de que o atual secretário extraordinário de Articulação Política é cunhado do governador Marconi Perillo (PSDB).

“Nomear parente não contribui para o aperfeiçoamento da Corte de Contas”, declarou o presidente em entrevista recente à Rádio Sagres 730.

Advogados e até mesmo conselheiros da seccional têm considerado, no mínimo, contraditório o posicionamento de Lúcio Flávio, uma vez que o mesmo já se viu envolvido em polêmica após resolver indicar seu primo de grau distante, Lúcio Lincoln de Paiva Ferreira, para ocupar cargo remunerado, em vaga destinada à OAB-GO no Conselho Estadual de Trânsito.

Vale lembrar que um dos compromissos da campanha de Lúcio Flávio era justamente que não houvesse nomeação de parentes. “É o famoso ‘faça o que digo, não faça o que faço’, bem típico dele”, atenta um conselheiro seccional da OAB-GO.

A incoerência, entretanto, não para por aí. Promessa de campanha da chapa “OAB que Queremos” na eleição de 2015, a proposta de alterar o atual modelo de formação de lista sêxtupla para compor o quinto constitucional no Tribunal de Justiça de Goiás foi totalmente enterrada pela gestão.

A lista de exemplos segue. Parte da carta programática apresentada por Lúcio Flávio há quase três anos tem se “desvirtuado” dos princípios básicos da campanha. À época, foram pregados a independência em relação aos poderes constituídos, o combate ao nepotismo em todos os níveis, a transparência dos atos da administração da OAB-GO e o respeito às decisões colegiadas.

Em paralelo a isso, entretanto, a gestão é acusada de indicar nomes de parentes e apadrinhados dos atuais diretores para cargos em órgãos públicos e da própria administração da OAB-GO, além de sofrer críticas de que toma atitudes ditatoriais, como ocorreu quando membros da Comissão de Orçamento e Contas foram destituídos por terem votado contra a transferência da gestão do Centro de Esporte e Lazer (CEL) para a Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag).

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Sérgio

Marconi deveria recuar nessa indicação.
É um tiro no pé, para um governador que não tem nada neste sentido, homem íntegro.