Lúcia Vânia: “Eu nunca recebi a vaga na bandeja, a minha foi sempre disputada”

Pré-candidata a reeleição ao lado de Marconi Perillo (PSDB), senadora diz que outros políticos da base aliada precisam ter paciência e apoiar quem aglutina mais votos

Muitos querem ser candidatos a senador na base aliada, mas a senadora Lúcia Vânia (PSB) vê que consolidação da vaga vem com paciência e capacidade de aglutinação | Foto: Leo Iran

Depois de definida a situação do PSB, a senadora Lúcia Vânia, presidente estadual da sigla, diz que outros nomes da base precisam “ter um pouco de paciência” com a definição das pré-candidaturas ao Senado para a reeleição da pessebista e a outra vaga reservada ao governador Marconi Perillo (PSDB), que deixa a chefia do Executivo em 7 de abril. “A atividade política é isso mesmo. A gente vai conversando e fazendo uma avaliação. As pessoas que estão disputando a eleição têm de entender que uma chapa majoritária tem de ser composta com quem soma, com quem agrega votos à chapa.”

Para Lúcia Vânia, a consolidação das duas pré-candidaturas ao Senado – da senadora do PSB e do tucano – é um sinal de que são os dois nomes que mais agradam os partidos da base aliada. “Aquele que melhor agregar e participar de forma mais competitiva nessa chapa vai ter o seu lugar.”

A presidente do PSB afirma que nunca teve moleza na vida política e defende que cada ator político espere a sua vez. “Eu sempre entendi isso. Nunca recebi a vaga na bandeja. A minha vaga foi sempre disputada”, observa a senadora. Lúcia Vânia não vê outro caminho eleitoral em sua trajetória a não ser ao lado do grupo de Marconi. “Eu já estou nessa base há 20 anos e ajudei a construir tudo isso. Para mim seria muito difícil o partido estar fora da base”, declara.

Mas diz que a decisão de manter os políticos pessebistas ao lado do PSDB não foi uma decisão unilateral. “Tenho de ter um certo cuidado porque o PSB, o partido que eu presido hoje, é um partido orgânico, que tem resoluções tomadas em conjunto – não se faz resolução isoladamente. Tenho de ter uma certa prudência para fazer as alianças e para tomar uma decisão que não seja colegiada.”

José Eliton

A senadora afirma ver no vice-governador José Eliton, que assume o governo com a saída de Marconi, “todas as condições” para ser o pré-candidato a reeleição ao Executivo estadual. “José Eliton vai ter uma grande oportunidade agora, ao assumir o cargo, de mostrar sua identidade, capacidade de gestão e articulação.” De acordo com Lúcia Vânia, estar à frente do Estado dará ao vice-governador a chance de ganhar mais visibilidade e “ser conhecido pela sua forma de administrar”.

“Ser vice é um papel muito difícil porque você tem de manter certa descrição, não pode avançar muito, pois isso pode trazer transtorno à administração pública. José Eliton conhece o Estado todo e seus problemas, ajudou a construir muitas das inovações que nós temos atualmente. Tenho certeza de que ele, melhor do que qualquer outro, pode enfrentar o desafio e ser um candidato competitivo”, descreve.

A entrevista, concedida ao Jornal Opção na noite de quinta-feira (22/3), se deu após a realização do seminário “O Empoderamento e a Participação da Mulher na Política Brasileira”, organizada pelo Instituto Goiano de Direito Eleitoral (IGDEL) em parceria com as comissões da Mulher Advogada (CMA), de Direito Eleitoral (CDE), Escola Superior da Advocacia (ESA) da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Goiás (OAB-GO) e Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica de Goiás (ABMCJ-GO).

Além da senadora, o evento contou com a presença da vice-governadora do Piauí, Margarete de Castro Coelho (PP), que é integrante da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), da deputada estadual Lêda Borges (PSDB), da vereadora Cristina Lopes (PSDB), das advogadas Ariana Garcia Teles (presidente da CMA/OAB-GO), Gabriela Rollemberg (Abradep), e dos advogados Danilo de Freitas (presidente do IGDEL e membro da Abradep) e Janúncio Dantas (presidente da CDE/OAB-GO).

Lúcia Vânia participou na quinta-feira (22/3) de seminário na OAB-GO que discutiu o empoderamento feminino e a participação da mulher na política | Foto: Leo Iran

Dificuldades

Depois de participar do seminário, que foi presidido por Danilo de Freitas, a senadora foi questionada se não seria o momento de a OAB e o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) escolherem uma mulher desembargadora pelo quinto constitucional reservado à Ordem – algo que nunca aconteceu. A resposta foi direta: “Não tenho dúvida disso”. “Na minha exposição, deixei muito claro os avanços que conseguimos na Assembleia Constituinte (1988) e depois nas modificações que fizemos no Código Civil e nas leis infraconstitucionais.”

Lúcia Vânia destaca as dificuldades enfrentadas por elas antes da Constituição de 1988. “Nós tiramos o preconceito de debaixo do tapete e o colocamos na luz do dia, enfrentamos esse preconceito e hoje as mulheres estão se encorajando, se empoderando e vendo que é muito importante não só as suas vidas familiares como também se realizarem profissionalmente”, lembra.

Para a senadora, é gratificante poder discutir o assunto como uma forma de estímulo. “Somos poucas mulheres na atividade política. […] Tem diversas trajetórias importantes aqui que enriquecem o nosso cotidiano.” A presidente do PSB enxerga que figuras femininas como as que participaram do seminário na sede da OAB em Goiânia passam a ser “referência positiva para aquelas mulheres que desejam encarar esse desafio de estar na vida pública”.

Grande desafio

“É um grande desafio, não é um caminho fácil. Há muito preconceito. Há muita dificuldade para a mulher conciliar a vida familiar e a vida profissional, uma vez que o homem ainda não tomou a iniciativa de participar dos afazeres domésticos”, observa. Esperançosa, Lúcia Vânia vê na nova geração “outra cabeça, com outra disposição”. “Quando nós abrimos essa caixa preta na Constituinte, a gente pôde explicitar o quanto eram cruéis as nossas leis em relação à mulher, colocando-as de forma subalterna, incapaz, tutelada.”

De acordo com a senadora, a retirada de entraves legais à emancipação feminina garantiu uma nova realidade, ainda em construção. “Com essa nova lei, com essa utopia que nós lançamos, a gente está devagarinho enfrentando os desafios e nos firmando no cenário da sociedade brasileira”, pontua.

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