“Liderei a privatização da Celg com lisura e responsabilidade”, afirma Ana Carla Abrão

Ex-secretária da Fazenda que conduziu venda para a Enel elenca razões pelas quais medida era indispensável para manter equilíbrio das contas do Estado

Foto: Francisco Costa/Jornal Opção

A ex-secretária da Fazenda de Goiás, que conduziu a venda da Celg Distribuição, Ana Carla Abrão, responde a oitiva na Assembleia Legislativa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Enel. “Liderei a privatização da Celg com lisura e responsabilidade”, disse.

Abrão, que foi titular da Sefaz por dois anos, também afirma que todo o processo foi feito colocando o povo goiano em primeiro lugar. “Sobre a prestação de serviços da Enel, eu poderei contribuir pouco, pois deixei Goiás em janeiro de 2017, quando empresa assumiu. Então tenho pouco contato, mas vou responder sobre o tempo em que estive à frente da secretaria”, sublinhou.

“Ter a Celg era o mesmo que desviar recursos de atividades que eram mais importantes. Porque absorvia recursos sem devolver para a população”

Questionada pelo deputado Cairo Salim (Pros) se a privatização da Celg era o melhor caminho para equilíbrio financeiro do Estado, a ex-secretária explicou que, em 2015, quando começou a discussão, Goiás passava pelo pior ano da recessão. 

“Na época, revimos a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2015 para Goiás não se tornar Rio de Janeiro. Essa era a situação a época. No fim de 2016 o Estado tinha melhorado a nota, que antes era igual à do Rio de Janeiro”, contextualizou.

“A Celg estava em estado adiantado de deterioração financeira, sem investimentos há muito tempo. E o Governo sem capacidade de fazer aportes para reverter a situação”, completou.

Sem recurso

Segundo ela, a estatal respondia, na época, por 15% do ICMS do Estado e começou a atrasar em 2015. “Isso significava não pagar a folha dos servidores. Além de não repassar, a empresas dava sinais de que não conseguiria, mesmo cobrando do consumidor final”, explicou.

A ex-titular pontuou, também, que na época já havia um descompasso entre despesas e receitas e a administração do Estado entendia que prioridade deveria ser para a Saúde, Educação e Segurança. “Ter a Celg era o mesmo que desviar recursos de atividades que eram mais importantes. Porque absorvia recursos sem devolver para a população. Um dinheiro que seria melhor alocado nos serviços básicos. Uma empresa, portanto, poderia oferecer esse serviço com melhor atendimento à população”, detalhou.

Federal

Na época, a companhia tinha maior parte de suas ações pertencentes à Eletrobrás. Então Ana Carla conta que foi levado ao ministro Joaquim Levy a ideia de privatizar a Celg. “Ele acolheu, até porque nem Goiás e nem o Governo Federal tinham recursos para colocar na companhia”, disse.

“Passamos por dois presidentes, Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), todos comuns em um único discurso: precisamos vender a Celg ou ela vai quebrar”

Ela conta ainda que, para ter total respaldo no processo, consultou o BNDES, o Tribunal de Contas da União, o IFC do Banco Mundial, o Ministério de Minas e Energia, a Eletrobrás e a Aneel. “Eu não teria posto meu nome nessa operação, se não soubesse como ela foi modelada”, assinalou.

E completou: “Tudo foi construído a partir de abril de 2015. Passamos por dois presidentes, Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), todos comuns em um único discurso: precisamos vender a Celg ou ela vai quebrar, os goianos ficarão sem energia e Goiás vai quebrar. Não havia alternativa. A alternativa era deixar de pagar a folha”.

“E se hoje a Enel não entrega o que prometeu, temos uma agência reguladora que tem que cumprir seu papel”

Ana Carla acrescenta que, diante dos fatos, não se tratava apenas de uma questão técnica. “E se hoje a Enel não entrega o que prometeu, temos uma agência reguladora que tem que cumprir seu papel. Esta Casa Legislativa que está cumprindo essa função. Entretanto temos uma empresa agora que têm capacidade de responder, coisa que a Celg não tinha”, justifica.

E ressalta que, caso a privatização não tivesse ocorrido, servidores estariam com salário atrasado desde 2015. “E os goianos sem energia. Não me arrependo da privatização. Se não tivesse feito, aí, sim, teria sido grave”, disse.

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