Líder do governo do Senado teria recebido R$ 5,5 milhões em propinas

Senador Fernando Bezerra Coelho teria negociado repasse de valores ilícitos de empreiteiras encarregadas das obras de transposição do rio São Francisco e de outros contratos do Executivo federal entre 2012 e 2014

O senador Fernando Bezerra Coelho | Foto: Agência Brasil

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) teria recebido, segundo a Polícia Federal, R$ 5,5 milhões em propinas de empreiteiras que deveriam realizar as obras de transposição do rio São Francisco, entre outros contratos. O fato teria se dado por negociações entre 2012 e 2014 (ele esteve ministro de 2011 a 2013), quando o senador ocupava o cargo de ministro da Integração Nacional da então presidente, Dilma Rousseff (PT). Ele era do PSB, naquele momento.

Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM-PE), filho do senador e ex-ministro de Minas e Energia de Temer (MDB), hoje deputado federal, teria recibo, também, propinas: R$ 1,7 milhão. Além dos dois, outros também foram alvos de ações de busca e apreensão pela PF, nesta quinta, 19. A operação se deu por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso.

Investigação

As investigações foram motivadas pelas delações premiadas de empreiteiros e dos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Arthur Roberto Lapa Rosal.

Mello Filho foi apontado pela PF como dono do avião que caiu em 2014 e que vitimou o ex-governador e então presidenciável Eduardo Campos (PSB), o que resultou em um inquérito que revelou supostas operações ilícitas da empresa dele. Ao lado de outros dois colaboradores, o empresário afirmou que realizou pagamento sistemático, bem como vantagens indevidas para Bezerra Coelho e seu filho por ordem de empreiteiras que atuavam nas obras da transposição e outras. Estas seriam: OAS, Barbosa Mello, Paulista e Constremac Construções.

Conforme o empresário, cabia a pasta comandada pelo hoje senador construir os canais que levam água do rio São Francisco para outras regiões do semiárido nordestino. A fim de esconder a ilicitude, pai e filho realizavam um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia, pessoas jurídicas, políticos e empresários.

Operações

Segundo o PF, pelo menos cinco operações para pagamento de propinas foram identificadas. Em 2012, o operador do ex-ministro, Iran Padilha Modesto, teria pedido em nome dele um empréstimo de Lyra Pessoa de R$ 1,5 milhão, sendo que R$ 932 mil teriam sido pagos por meio de cheques e transferências bancárias para pessoas e partidos ligados a ambos. Modesto teria recebido R$ 568 mil em espécie.

O filho do senador disputou a prefeitura de Petrolina naquele ano, mas não se elegeu. Conforme os investigadores, a Bari Automóveis, cujos administradores eram parentes de Bezerra, estava entre as destinatárias das propinas, tendo doado R$ 45 mil para a chapa do filho.

As delações apontaram, também, que em 2013, o empréstimo foi pago a Lyra pela OAS e a Barbosa Mello. Estas estavam em um consórcio para tocar dois lotes da transposição.

Além disso, outros recursos teriam sido pagos pela OAS, entre 2012 e 2014, aos hoje senador e deputado federal, por meio de esquema de emissão de notas fiscais frias para serviços fictícios relacionados às obras de transposição, que eram repassados a Lyra e Bezerra Leite.

Durante sua delação, Lyra declarou que, em 2012, repassou R$ 1,1 milhão “para diversas pessoas vinculadas aos parlamentares”. Já em 2014, ano de eleição de Bezerra Coelho, a OAS, por meio de caixa dois, teria pago a ele R$ 670 mil. Um ano anos, a PF identificou uma doação de de R$ 350 mil ao PSB. O congressista seria o beneficiado.

Ainda de acordo com o delator, ele teria recolhido mais de R$ 2 milhões em espécie na sede da Constremac Construções, em São Paulo, para serem entregues ao senador. Os recursos eram sempre repassados a pessoas indicadas por Modesto, afirma durante a delação e, também, que Marcos Vinícius Borin, executivo da Constremac, era compadre de Bezerra Coelho – executivo cuja empresa seria sócia oculta da Mendes Júnior na transposição.

Já da Construtora Paulista, que tocava três lotes da transposição, Lyra disse ter recebido R$ 330 mil.

Defesa

André Callegari, advogado do senador, disse que “causa estranheza à defesa que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação. A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal”.

Por meio de nota, também foi exposto que a Procuradoria-Geral da República opinou contra a busca e que, mesmo assim, o ministro Barroso a deferiu, o que teria causado “ainda mais estranheza”

A Folha, fonte dessa matéria, não conseguiu contato com os demais investigados.

(Com informações da Folha de S.Paulo)

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