Líder de movimento de professores é processado por Delegado Waldir por calúnia e difamação

Parlamentar diz ser pessoa pública, mas se alguém o atacar pessoalmente e de forma infundada tem que pagar o preço

Foto: Fernando Leite | Jornal Opção

O coordenador de comunicação da Associação Mobilização dos Professores de Goiás (AMPG), Thiago Oliveira Martins, foi processado pelo deputado federal Delegado Waldir (PSL) por calúnia, injúria e difamação e deverá participar de uma audiência de conciliação nesta segunda-feira, 2. O encontro ocorre às 8h30, no Juizado Especial Criminal de Aparecida de Goiânia.

Segundo Thiago, que é também professor, o deputado o processa por não retirar do Facebook o compartilhamento de uma postagem de terceiros e, também, por não pedir desculpas publicamente, quatro vezes ao dia, por dez dias seguidos, em todas as redes sociais.

Caso

O docente explica que tudo começou em janeiro, quando começou o atraso do pagamento da folha salarial de dezembro. Ele revela que professores, em Jataí, receberam o governador Ronaldo Caiado (DEM), que estava acompanhado de Waldir, em manifestação, ocasião em que o parlamentar teria proferido palavras de baixo calão.

Professoras teriam feito uma postagem em rede social relatando o caso e Thiago compartilhou em seu perfil social, quando, então, foi procurado pelo delegado Waldir, que negou. “Eu falei com as professoras que admitiram, mas disseram ter medo do deputado”, disse.

Pedido

Thiago enviou ao Jornal Opção o documento extraoficial que o delegado Waldir enviou a ele, com a solicitação para retirasse a postagem e pedisse desculpas.  O documento é datado de 11 de janeiro.

“Para fins de minimizar os danos já causados, requer que vossa senhoria divulgue durante 10 dias, pelo menos 4 vezes por dia, em todas as redes sociais e WhatsApp, o teor da seguinte mensagem: ‘Reconheço que divulguei fatos mentirosos e que atentaram contra a honra, moral e imagem do deputado federal Delegado Waldir, haja vista que este jamais desrespeitou qualquer funcionário público e muito menos professor. Informou que tomei conhecimento da história do deputado (…), que já foi professor e tem em sua história muito tempo de serviço dedicados ao serviço público. Assim, reconheço que extrapolei o limite do ponderável e passei a divulgar informações mentirosas que visavam exclusivamente atentar contra a honra, moral e imagem do deputado (…), razão pela qual procedo com a presente retratação para fins de informar a todos que houve a divulgação de informações inverídicas relacionadas ao deputado (…)’”, diz trecho.

O coordenador de comunicação da AMPG disse ter informado ao parlamentar que não faria dessa forma. “Hoje [quarta, 28] fui informado que teria uma audiência de conciliação na segunda”, afirmou surpreso.

Versão

O deputado Delegado Waldir explicitou que, de fato, foi a um evento em Jataí com o governador e que, na época, houve conversas com sindicalistas e professores. Segundo o congressista, uma docente disse que ouviu falar de outra que ele havia proferido os xingamentos.

“Essa professora, inclusive, já teve uma audiência em Jataí e já me pediu desculpas. Ela se retratou, mas essa pessoa [Thiago] replicou e aumentou os ataques”, apresenta Waldir, que lembra que, na época, conversou com os presentes e chegou a pedir que retirassem as faixas de protesto, mas sem dizer palavras de baixo calão.

Ainda sobre Thiago, Waldir diz que se lembra do docente, pois ele foi detido durante as manifestações de 2013 “por vários artigos”. O deputado ainda cita que é uma pessoa pública, mas quando alguém o ataca pessoalmente e de forma infundada tem que pagar o preço. “Toda vez que me ofender será processado. Qualquer um”.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.