Vladimir Ilyich Ulyanov adotou o pseudônimo “Lenin” enquanto estava envolvido em atividades revolucionárias. Vladimir Lenin (1870-1924) nasceu em Simbirsk, Rússia, em uma família de classe média. Sua radicalização política ocorreu em meio à agitação social e à repressão czarista. Após sua morte em 1924, o corpo embalsamado de Lenin foi colocado em um mausoléu na Praça Vermelha, em Moscou. O Mausoléu de Lenin tornou-se um local icônico, marcando sua presença simbólica mesmo décadas após sua morte. Neste 21 de janeiro, sua morte completa 100 anos e seu legado controverso permanece no imaginário intelectual e político em todo o mundo.

Corpo do revolucionário foi preservado e pode ser visitado | Foto: Reprodução

A história da Rússia no século XX é marcada por eventos transformadores, sendo a Revolução Russa de 1917 um dos episódios mais significativos. No centro dessa revolução está Vladimir Lenin, um líder carismático e teórico revolucionário que desempenhou um papel fundamental na transição da Rússia czarista para a União Soviética socialista.

A centenária morte de Lenin também destaca a relevância contínua de suas ideias em discussões sobre socialismo, marxismo e governança. Seu impacto é sentido não apenas na esfera acadêmica, mas também em movimentos políticos e sociais que continuam a explorar e reinterpretar as contribuições de Lenin para atender aos desafios e contextos contemporâneos.

Agitação social e a Grande Guerra

Lenin emergiu em um momento de agitação social e econômica na Rússia. A Primeira Guerra Mundial, a insatisfação popular e as condições precárias culminaram na Revolução de Fevereiro de 1917, que resultou na abdicação do Czar Nicolau II. Esse cenário tumultuado criou as condições ideais para a ascensão dos bolcheviques, liderados por Lenin.

Lenin, ao centro, e membros do partido | Foto: Reprodução

Lenin, profundamente influenciado pelo marxismo, contribuiu significativamente para o pensamento socialista. Em sua obra “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, ele expandiu as teorias de Marx, argumentando que o capitalismo avançado havia entrado em uma fase imperialista, caracterizada por rivalidades entre grandes potências e exploração econômica de nações mais fracas.

Papel do Estado

Outra obra seminal, “O Estado e a Revolução”, reflete a visão leninista sobre o papel do Estado na transição para o socialismo. Ele propôs a destruição do aparato estatal burguês e sua substituição por uma forma de governo baseada nos conselhos operários, conhecidos como soviets.

“O Estado e a Revolução” é uma obra fundamental de Vladimir Lenin, escrita durante os meses que antecederam a Revolução de Outubro de 1917. O livro representa uma análise profunda da teoria política marxista, especificamente sobre o papel do Estado na transição para o socialismo.

Lenin escreveu “O Estado e a Revolução” com o objetivo de esclarecer as ideias marxistas em relação ao Estado, aproveitando o momento revolucionário na Rússia para aplicar esses conceitos na prática. A obra foi uma resposta direta às questões políticas e teóricas da época.

Lenin argumenta que o Estado, mesmo em sua forma democrática, é uma ferramenta de opressão das classes exploradas pelos interesses capitalistas.

Revolução de Outubro de 1917

A Revolução de Outubro foi o ponto culminante da agitação revolucionária. Liderando os bolcheviques, Lenin orquestrou a tomada do Palácio de Inverno em Petrogrado, estabelecendo assim o governo socialista. Esse evento inaugurou a criação de um Estado baseado na ditadura do proletariado.

Governo e Políticas

O governo de Lenin enfrentou imediatamente desafios, tanto internos quanto externos. Internamente, a Guerra Civil Russa (1918-1922) testou a resiliência do novo regime socialista contra forças contrarrevolucionárias e estrangeiras. Para enfrentar as dificuldades econômicas, Lenin implementou a Nova Política Econômica (NEP), uma abordagem pragmática permitindo elementos de mercado para revitalizar a economia.

O governo de Lenin viu a implementação de políticas revolucionárias, incluindo a nacionalização de indústrias, a redistribuição de terras e a criação do Exército Vermelho. Sua administração também consolidou o poder por meio da Cheka, a polícia secreta, o que gerou controvérsias sobre os métodos autoritários utilizados.

Lenin acreditava no internacionalismo proletário, defendendo a propagação da revolução socialista além das fronteiras russas. Isso se manifestou na formação da Internacional Comunista (Comintern) em 1919, buscando unir esforços de partidos comunistas em escala global.

Legado e Reflexões

A morte prematura de Lenin em 1924 deixou um vácuo de liderança, dando lugar à ascensão de Stalin. O legado de Lenin é complexo; enquanto suas contribuições teóricas influenciaram o pensamento socialista, seu governo também levanta questões sobre autoritarismo e pragmatismo político.

O ano de 1924 testemunhou a consolidação do governo soviético sob a liderança de Joseph Stalin, que assumiu o poder após uma luta interna pelo controle do Partido Comunista. Esse período também foi marcado pela consolidação do regime soviético e pela tentativa de consolidar os ideais socialistas em meio a desafios internos e externos.