Leclerc pode ser o novo Ayrton Senna da Fórmula 1

É cedo para julgamento peremptório, mas o piloto de 21 anos desponta tanto pelo arrojo quanto pela competência na direção. Só precisa que a Ferrari se torne Mercedes

Cilas Gontijo

A Fórmula 1 começa dando o que falar — e positivamente. Em dois GPS, disputados na Austrália e no Bahrein, os fãs do automobilismo puderam perceber que este ano não faltará adrenalina e corridas espetaculares. Dizem, até, que Galvão Bueno — 69 anos em julho — já consultou seu cardiologista.

Mercedes e Ferrari prometem duelos transnacionais. De um lado, pela Mercedes, o campeão Lewis Hamilton, veterano de apenas 34 anos, e Valtteri Bottas. De outro, a Ferrari, com pilotos excepcionais — Sebastian Vettel e Charles Leclerc.

Aos 21 anos, o “menino” Leclerc, substituto de Kimi Raikkonen, encanta os aficionados por três motivos. Primeiro, pelo arrojo. Segundo, por não ter receio de enfrentar os gigantes, como Hamilton e Vettel, seu colega de escuderia. Terceiro, pela competência e perícia nas pistas. A Fórmula 1 já teve outros pilotos ousados, até mais ousados, mas que não se tornaram campeões porque, no fundo, não eram, tecnicamente, grandes pilotos, acertadores de carros.

Até agora, a nova contratação da Ferrari tem valido a pena para a escuderia e para o público. Hamilton ganhou a prova de domingo, 31. Mas o mundo inteiro falou só de Leclerc. Há quem chegue a compará-lo com Ayrton Senna. É cedo. Mas os grandes pilotos surgem mesmo muito cedo.

Vettel, de 31 anos, é um piloto arrojado, e tecnicamente eficiente. Mas deu-se mal em 2018, perdendo para o arqui-adversário Hamilton. Consta que o alemão pôs as barbas de molho… em água benta. Porque percebeu que o garoto nascido em Monte Carlo pode não aceitar a ideia de segundo piloto. Aliás, se deslanchar, Vettel pode acabar se tornando o segundo piloto. É provável que, nas próximas corridas, para a alegria dos torcedores, o duelo não se dê apenas entre Mercedes e Ferrari, mas também entre Ferrari, Vettel, e Ferrari, Leclerc.

Na corrida do Bahrein (país cuja população é menor do que a de Goiânia) — dizem que sunitas e xiitas torceram por Leclerc —, o piloto da Ferrari liderou, com folga e habilidade, boa parte da prova. Mas, se tinha piloto, a Ferrari não tinha carro, quer dizer, motor de alta qualidade. Porém, mesmo com o veículo atrapalhando seu talento, Leclerc ficou em terceiro lugar. Uma vitória de seus braços. Pode-se falar numa “vitória moral”. Vale sublinhar que ganhou um ponto extra pela volta mais rápida.

Na Austrália, Leclerc só não ultrapassou Vettel, nas últimas voltas, por acatar as ordens do chefão da Ferrari. No Bahrein (ou Barein) ignorou as palavras da escuderia, e disparou, logo no início, deixando todos para trás.

Na próxima corrida, no dia 14 de abril, em Xangai, na China, é preciso preparar os corações. Se Leclerc for bem, sobretudo se ganhar, o jovem piloto pode inaugurar uma nova era na Fórmula 1. É cedo para dizer, mas pode estar surgindo o Hamilton e o Vettel dos próximos anos. Ou, se quiserem, o novo Ayrton Senna.

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