“Acho melhor manter o sigilo”, disse Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot a Deltan Dallagnol

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Reportagem de Ricardo Balthazar e Rafael Neves, publicada na Folha de São Paulo deste domingo, 27, mostra que procuradores da Operação Lava Jato convenceram um ministro do Supremo Tribunal Federal a manter dois executivos da Andrade Gutierrez presos com o intuito de garantir colaboração da empresa e dos funcionários com as investigações em 2016. A matéria usa mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram divulgados pelo The Intercept Brasil.

 

A troca de mensagens entre os integrantes da força-tarefa, analisada pela Folha, mostra que os procuradores pediram aval do então juiz Sergio Moro para executar a medida. Os diálogos apontam que o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, submeteu ao ministro Teori Zavaski, relator dos processos da Lava Jato no STF. Zavaski na ocasião tinha dois habeas corpus impetrados pelos executivos da empresa para analisar.

 

O acerto com a empresa previa que os dois sairiam da cadeia no Paraná e ficariam um ano em prisão domiciliar com tornozeleiras eletrônicas. Moro concordara em revogar as ordens de prisão preventiva que os mantinham atrás das grades, mas faltava convencer Teori do plano.

 

A reportagem mostra que o ministro ainda não fora informado das negociações. Teori estava inclinado a soltar os empreiteiros. O ministro deu seu aval no dia 4 de fevereiro de 2016 e pediu os nomes dos executivos presos. “Pq ele vai travar os hcs aqui esperando vcs”, escreveu o procurador Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot.

 

“Acho melhor manter o sigilo”, disse Pelella a Deltan. “Só pro Teori ficar tranquilo”, mostra as mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil.